A música de Kurt Rosenwinkel tem-se rapidamente transformado numa das mais sólidas referências do jazz moderno e, em particular, da guitarra jazz contemporânea. Juntamente com uma geração que surgiu nos anos 90 essencialmente em Nova Iorque e que inclui figuras como o pianista Brad Mehldau, os saxofonistas Mark Turner, Joshua Redman e Chris Cheek, os baixistas Ben Street, Larry Grenadier e Avishai Cohen ou os bateristas Jeff Ballard e Jorge Rossy, o guitarrista soube desde cedo pegar na herança mais ou menos recente daqueles que o precederam e fazer com ela o que é necessário: assimilar, usar, misturar, esquecer, voltar a usar, não necessariamente por esta ordem nem com esta simplicidade. O novo jazz que daí surgiu distingue-se pela ausência de preconceitos perante a história e perante os géneros, pelo despretensiosismo na encarnação de um espírito de vanguarda e pela abertura perante os mais úteis nutrientes da contemporaneidade. Rosenwinkel não hesita, por isso, em recorrer às mais variadas fontes, do jazz ao hip-hop, e a abordagens que tanto podem ser puramente acústicas como recheadas de electrónica. Mais do que tudo, sobressai pela procura da verdadeira individualidade que eleva a criação ao estatuto de "arte". É assim com a música do guitarrista de Filadélfia. Depois de um memorável concerto na Sala Suggia, há dois anos, ao lado da Orquestra Jazz de Matosinhos, a colaboração artística prosseguiu e deu origem a um disco conjunto, apresentado agora na Casa da Música. Os arranjos de Carlos Azevedo, Pedro Guedes e Ohad Talmor trazem novas perspectivas sobre composições que nos habituámos a ouvir em pequenas formações, e não hesitam em reformular autênticos clássicos como já se tornaram temas como "Zhivago", "The Cloister" ou "Our Secret World". Trata-se de música que traduz a linguagem harmónica original e a veia melódica de Rosenwinkel, revelada ao mundo em álbuns inovadores e tão diferentes como The Next Step, Heartcore e Deap Song.
"Kurt Rosenwinkel tornou-se um dos melhores guitarristas do jazz, paciente e sério, com um som brumoso e um desejo de levar o seu lirismo através de regiões mais vastas da harmonia." The New York Times |
|