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  • Membro da prestigiada Accademia Filarmonica de Bolonha, o compositor e violinista Gaetano Maria Schiassi esteve ao serviço da corte do Duque Alderano Cybo-Malaspina de Massa e Carrara − a quem dedicou os seus Trattenimenti per camera em 1724 − e do landgrave de Darmstadt antes de se fixar em Lisboa a partir de 1734. Nos anos anteriores, várias das suas óperas e oratórias foram interpretadas em palcos italianos, destacando-se a sua versão da Didone abbandonata no campo da ópera séria, mas também a comédia La Zanina finta contessa, com recurso ao dialecto bolonhês.

    Com a excepção das referências de Manuel Carlos de Brito no seu livro Opera in Portugal in the Eighteenth Century (Cambridge University Press, 1989), a actividade de Schiassi em Lisboa permanece por estudar, tarefa dificultada pelo facto de muitas fontes se terem perdido com o Terramoto de 1755. A correspondência trocada entre o compositor bolonhês e o Pe. Giambattista Martini (com datas entre 1735 e 1753) permite porém ter conhecimento de alguns detalhes do seu percurso e da vida musical portuguesa da época.

    Schiassi teve uma ligação estreita com a Academia da Trindade, um dos primeiros teatros públicos de ópera de Lisboa, criado em 1735 e dirigido pelo violinista italiano Alessandro Paghetti. Neste espaço apresentou óperas sérias como Farnace (1735), Alessandro nell’Indie (1736), Artaserse, Demoofonte, Eurene e Anagilda (1737) e no novo Teatro da Rua dos Condes foi levada à cena em 1739 a sua ópera Demetrio. Schiassi terá sido também compositor do Infante D. Manuel (irmão de D. João V) e a correspondência com o Pe. Martini atesta ainda o seu contributo na composição de oratórias sobre libretos de Metastasio interpretadas em Lisboa, nomeadamente Il sacrificio d’Isaac, Giuseppe riconosciuto, La Passione di Gesù e Gioas rè di Giuda.

    Em 1737, doze concertos para violino solo de Schiassi foram publicados em Amesterdão e existem várias outras fontes com obras instrumentais da sua autoria (sonatas, sinfonias, concertos e danças) em várias bibliotecas europeias, sendo porém difícil apurar se algumas delas foram compostas em Lisboa. O manuscrito da Sinfonia Pastorale per il Santissimo Natale encontra-se na Suécia, na Biblioteca da Universidade de Uppsala, e foi objecto de uma primeira edição moderna em 1928. Insere-se na tradição das Pastorais natalícias cultivadas pelos compositors italianos dos séculos XVII e XVIII, cujo vocabulário se tornaria propriedade comum da música europeia, tanto no âmbito do repertório religioso como no do profano. Motivos pastorais, por vezes de carácter pitoresco, surgem em concertos instrumentais (um exemplo célebre é o do Concerto fatto per la notte di Natale de Corelli) e peças para tecla, mas também em cantatas e na música litúrgica. Melodias dançantes, geralmente em compassos de 6/8 ou 12/8 (mas também em 3/4), frequentemente harmonizadas em terceiras paralelas, e longas notas pedal na tónica e na dominante evocando os bordões da gaita de foles são traços frequentes desse vocabulário, que também se encontra na Sinfonia de Schiassi, com destaque para o último andamento. A qualidade musical desta obra desperta a curiosidade para a restante produção do compositor, que permanece quase desconhecida.

     


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