Frank Zappa

Baltimore, 21 de Dezembro de 1940 / Los Angeles, 04 de Dezembro de 1993

  • Os álbuns discográficos de Frank Zappa, músico que compôs nas áreas do rock, jazz, música electrónica e para orquestra, reflectem muitas vezes temas de grande impacto social e político. Há quem indique a infância passada com um pai que trabalhava como químico para o exército norte-americano, numa casa onde se tinham sempre à mão máscaras de gás para prevenir um eventual acidente, como o ponto de partida para uma aguçada sensibilidade e atitude crítica na idade adulta. Certo é que o pequeno Frank sofreu diversos problemas de saúde na infância, muitos de origem alérgica, e que estes serviram de temática para composições suas.

    A sua iniciação musical foi feita em percussão, mais propriamente com uma bateria. Não admira, pois, que as obras de Varèse, um revolucionário no uso da percussão, tenham causado um forte impacto na sua juventude, a par de obras fortemente rítmicas de Stravinski e outros compositores de linha erudita. Criando e integrando diversas bandas, adoptou a guitarra como instrumento solista em finais da década de cinquenta, ainda teenager. Até meados da década de 1960, Zappa trabalhou arduamente nas mais diversas tentativas de singrar como músico, passou pelas maiores dificuldades ao ponto de ser preso por uma falsa acusação de produzir música para filmes pornográficos. Este episódio viria a acrescentar uma faceta de anti-autoritarismo à sua carreira.

    Por fim, em 1966 edita um primeiro álbum que é considerado um marco de inovação a diversos níveis. Nas gravações de Freak Out, os músicos tinham que seguir partituras, facto inédito na área do rock. Dois álbuns depois, Zappa lançava o primeiro trabalho a solo (Lampy Gravy, 1968) onde, através do trabalho de edição, sobrepunha a voz falada, música instrumental e electrónica.

    Até à data da sua morte, vítima de cancro em 1993, Zappa originou diversas bandas, tocou com grandes músicos e lançou 35 álbuns gravados em estúdio, 22 ao vivo, bem como 20 singles. A sua música continua a ser gravada e há discos sob a direcção de grandes figuras da música erudita. Um dos mais emblemáticos data de 1984 e dá pelo nome de Boulez Conducts Zappa: The Perfect Stranger, onde a interpretação esteve a cabo do Ensemble Intercontemporain, mas ainda antes Zappa teve dois discos gravados pela Orquestra Sinfónica de Londres sob a direcção de Kent Nagano.

    Em 1992, quase dois anos após lhe ser diagnosticado um cancro na próstata em estado muito avançado, Frank Zappa foi um dos compositores escolhidos para apresentar uma retrospectiva da sua obra no prestigiado Festival de Frankfurt. Nesse âmbito, recebeu o convite do Ensemble Modern, de Frankfurt, para tocar obras suas. Depois de um encontro em Los Angeles, onde lhes apresentou novas composições e arranjos para ensemble de peças mais antigas, os concertos tiveram lugar na Alemanha em Setembro de 1992. O resultado desses concertos dirigidos pelo próprio Zappa e pelo maestro titular do Ensemble Modern, Peter Rundel, está gravado nos álbuns Yellow Shark (1993, último disco lançado em vida) e no álbum póstumo Everything is healing nicely (1999). Um disco posterior foi gravado pelo Ensemble Modern com o nome Ensemble Modern plays Frank Zappa.


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