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  • 1. Allegro molto moderato

    2. Adagio

    3. Allegro moderato molto e marcato

    O Concerto para piano e orquestra de Grieg foi a obra que mais contribuiu para o reconhecimento internacional do compositor, sobretudo na sua qualidade de virtuoso do teclado. Após o sucesso alcançado com a sua estreia, toda a Europa o queria ouvir interpretado pelo próprio criador, um gosto que se prende com a ideia de autenticidade.

    Obra de juventude, o Concerto foi escrito na Dinamarca quando o compositor tinha 24 anos, sendo estreado pelo pianista norueguês Edmund Neupert na Sala de Concertos do Casino de Copenhaga, a 3 de Abril de 1869. O piano utilizado foi um Steinway emprestado por Anton Rubinstein, considerado o pai da Escola Russa de piano, o qual compareceu ao concerto. Grieg tornar-se-ia um dos intérpretes de referência da obra, e da sua prática enquanto executante resultaram inúmeras alterações à versão original, ligeiros retoques na orquestração e em pormenores melódicos e harmónicos. A versão que hoje escutaremos é a mais conhecida e foi concluída pouco antes da morte do compositor.

    Dividido em três andamentos contrastantes marcados por um intenso lirismo, o Concerto tem um carácter muito heróico devido aos recorrentes acordes tocados em fortissimo e com ritmos pontuados.

    O primeiro andamento abre sobre o rufar misterioso dos tímpanos com o piano num gesto verdadeiramente ousado e de carácter declamatório. É a orquestra que alivia o tom cantando um tema quase popular e de grande lirismo, o qual faz o piano regressar com um diálogo com o tutti. Vários motivos de grande fantasia e virtuosismo se desenrolam alternando temas saltitantes e divertidos com outros mais apaixonados, como aquele que se ouve no registo grave das cordas e que o piano trata em jeito de variações.

    O segundo andamento, com o seu longo tema tocado nas cordas e pontuado por breves solos do violoncelo ou dos sopros, poderia ser a banda sonora de um filme passado no campo, num ambiente nostálgico de uma tarde de Outono. A entrada do piano assume gradualmente protagonismo, muito de acordo com a ideia do solista virtuoso do Romantismo.

    O último andamento, que decorre após uma calma e contemplativa transição quase sem interrupção, tem um carácter nacionalista devido à alusão das harmonias à sonoridade de um instrumento popular norueguês. O ritmo popular é o de uma rápida e alegre dança chamada halling, na qual se utiliza um instrumento aparentado com o violino – o hardanger. Esse instrumento tem um conjunto de cordas abaixo daquelas que o arco fricciona e que produzem uma sonoridade bordão idêntica à das gaitas-de-foles. Este tema é alternado com outros mais contemplativos e calmos. Como acontece nos concertos românticos, este finale é uma prova de grande virtuosismo terminando de forma empolgante com o piano acompanhado por uma grandiosa fanfarra de metais à qual se junta, numa reminiscência do início, o rufar dos tímpanos.


    Rui Pereira, 2008

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