Divertimento das Musas

Charles Wuorinen, Nova Iorque, 09 de junho de 1938

[1991; c.25min]

 

Estreia europeia: 26 de Setembro de 2015 na Casa da Música; Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música; Direcção musical: Brad Lubman

 

  • Pianista, maestro e compositor, Charles Wuorinen é detentor do prestigiado Pulitzer Prize. No domínio da composição é uma das vozes mais importantes dos Estados Unidos, com mais de 260 obras em catálogo, incluindo a recente ópera, estreada no ano passado no Teatro Real em Madrid, sobre o mediático romance Brokeback Mountain de Annie Proulx. Recentemente, Wuorinen foi convidado a compor para o MET de Nova Iorque, a Boston Symphony Orchestra, o New York New Music Ensemble e para alguns dos mais virtuosos intérpretes do nosso tempo. A sua música é apelidada de maximalista, em oposição à música dos minimalistas.

     

    Delight of the Muses é um bailado encomendado e estreado pelo New York City Ballet em 1992. Tem como referência três obras de Mozart: duas sonatas para piano que escreveu quando tinha 18 anos de idade (K.281 e K.283) e a ópera Don Giovanni. A peça tem início com uma figura de retórica típica das aberturas de cena do período Clássico. Mas rapidamente o ambiente parece sugerir os momentos que antecedem um concerto e em que cada músico toca passagens da sua parte como se estivesse sozinho preparando¬-se para entrar em palco. Os diferentes instrumentos parecem mesmo competir pelo protagonismo e gera¬-se um ambiente de grande humor e extremamente familiar pela quantidade de pequenos trechos muito típicos de qualquer partitura mozartiana. Isto poderia facilmente cair numa espécie de cacofonia mas não é essa a intenção de Wuorinen. A música progride ao longo de quatro andamentos, como se fosse uma sinfonia, levando¬-nos por um verdadeiro catálogo de ambientes característicos das obras de Mozart, sugerindo cadências de concertos, árias de ópera, scherzos e trios, música nocturna, sinfonias mais impetuosas e todos os ritmos, escalas, ornamentos, cadências harmónicas e recortes melódicos que povoam o nosso imaginário sonoro e que associámos ao grande génio que foi Mozart.


    Rui Pereira, 2015