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  • 1. Lassú

    2. Ugrós

    3. Lejtos

    4. Dobbantos

     

    Sándor Veress foi compositor, pedagogo, pianista e etnomusicólogo. Nasceu em 1907 em Klozsvár, nessa altura Império Austro-Húngaro, actualmente Cluj-Napoca, Roménia. Estudou composição com Zoltán Kodály e piano com Béla Bartók na Academia Franz Liszt em Budapeste. Como assistente de László Lajtha pesquisou música tradicional húngara, transilvana e moldava. Sándor Veress demonstra também um grande interesse pela composição ocidental e torna-se assim uma figura-ponte no panorama da música húngara. A sua linguagem musical une elementos de música tradicional com métodos de composição ocidentais modernos como a dodecafonia. Em 1943 sucede a Kodály como professor de composição na Academia de Música em Budapeste e cria pontes como pedagogo: entre Kodály e Bartók, de quem foi aluno, e compositores como György Ligeti e György Kurtág, de quem foi professor de composição.

     

    As Quatro Danças Transilvanas foram compostas na altura do seu trabalho na Academia, que coincide com os últimos anos que passou na Hungria. Insatisfeito com o clima político opressivo em que vivia acaba por emigrar definitivamente para a Suíça em 1949. É aí que reside até ao fim da sua vida e onde continua a leccionar composição, pedagogia musical e teoria no Conservatório de Berna, tendo como alunos compositores como Heinz Marti, Jürg Wittenbach e Heinz Holliger.

    Estas peças são, nas palavras do compositor, “recriações livres de certos estilos de música de dança típica de aldeias húngaras, principalmente das da zona de Székler na Transilvânia”. Esta aproximação à música popular através da sua recriação é especialmente interessante pois mostra-nos, mais do que uma citação transformada, o reconhecimento, do ponto de vista do compositor, de quais as características inerentes a certo género de música.

    Na própria música encontra-se uma grande riqueza que começa logo pela escolha da formação instrumental: orquestra de cordas. Aqui os vários instrumentos têm, entre si, um som tão coerente, que esta formação é como um grande e único instrumento com um registo que vai desde o mais grave do contrabaixo ao mais agudo do violino, com múltiplas cores e texturas diferentes pelo meio.

    Repare-se, logo no início do primeiro andamento – Lassú –, no acorde que se monta de um instrumento para o outro, como que mostrando o registo do grave ao agudo deste instrumento total e fazendo uma pergunta à qual os instrumentos respondem logo, cantando. Oiça-se esta melodia longa, este pranto que vai caindo até se entregar aos registos graves, e repare-se também nos outros instrumentos que a vão pontuando com um acompanhamento tão elegante e harmonicamente surpreendente, nas cores e relações que têm com a melodia. Cria-se uma alternância – um diálogo – entre a melodia no agudo e no grave (e os correspondentes acompanhamentos), entre o tutti e o solo. Note-se como é distinta a sensação de ouvir a melodia no grave, acompanhada pelos agudos. Esta inversão suspende-nos, o diálogo embala e o andamento termina, mas pergunta-se: fecha, ou fica também este em aberto?

    O segundo andamento, Ugrós (salto), é logo de carácter completamente distinto. Nele, a melodia, com o seu ritmo tão marcante, vai sendo imitada pelos vários instrumentos, saltando de boca em boca, até que ela própria se parece esgotar. No fim sobra apenas o ritmo marcante e rápido da melodia inicial que, como que querendo continuar a brincar mas ficando por ali, termina com um ponto em forma de pizzicato.

    Na densidade de Lejtos (inclinado) ouvem-se duas camadas, como duas pessoas (teimosas) que parecem não querer reagir uma à outra, mas inevitavelmente têm de o fazer. Esta peça vive do ostinato, a repetição incansável de um certo elemento musical que, no entanto, vai sempre mudando de feitio, ganhando súbita vitalidade e alegria na segunda parte.

    Dobbantos (batendo o pé) lembra muito os andamentos rápidos de Bartók. Nada como viajar com o groove rítmico deste andamento, que por vezes nos deixa suspensos, para nos apanhar logo a seguir. Este último andamento é um fogo que arde depressa e que, apesar de no final parecer queimar quem o sente, liberta-nos energicamente.

     


    António Breitenfeld Sá-Dantas, 2016

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