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  • 1. Episode 1 –

    2. Episode 2

     

    Em 1985 Magnus Lindberg estreava Kraft, uma obra de texturas densas e gestos ruidosos com uma sedução pelos extremos sonoros. Para além da intensa exploração instrumental, o uso das tecnologias no seu processo criativo – como a electrónica e a composição assistida por computador – demonstram um compositor em busca da originalidade. Passados cerca de 20 anos, o mesmo compositor estreia Two Episodes, obra em que transparece um olhar sobre o passado, num processo que parece procurar mais os ingredientes convencionais da tradição clássica.

    A sua estreia nos Proms 2016 partilhava o programa com a Nona Sinfonia de Beethoven. Esta famosa obra serviu de mote para o processo composicional de Lindberg. Segundo afirma o compositor, Two Episodes não incluiu citações, mas alusões que permitem “ligações aurais claras”. Não avança pelo caminho de muitos dos seus predecessores como Luciano Berio, em Sinfonia, uma obra construída maioritariamente com citações. Prefere o lado ambíguo, usando a obra de Beethoven mais como uma influência no processo do que como material pré-existente para um jogo.

    De forma a estabelecer mais uma ligação, adoptou a orquestração da Nona Sinfonia. Nas notas de programa, o compositor relata que esta escolha eliminou o timbre ressonante que instrumentos como a harpa, o piano e a percussão exótica costumam proporcionar nas suas restantes obras. Mas os gestos orquestrais coloridos, a orquestração exuberante, a repetição motívica e a narrativa cinemática talvez se aproximem mais d’O Pássaro de Fogo do que da Nona Sinfonia.

    Composta em duas secções, segundo o compositor, “a primeira está ligada ao impacto massivo do primeiro andamento com a sua imensa escrita tutti, cheia de sons vigorosos e de energia, enquanto a segunda está mais relacionada com a beleza do andamento lento e funciona como uma ponte entre a quinta perfeita Lá-Mi e o seu destino, Ré menor.”

    Interessado em “encontrar uma forma de desfrutar do mesmo entusiasmo que os compositores clássicos tinham pela linguagem”, Lind­berg olha para técnicas que pareciam estar esquecidas nos livros de teoria, sendo uma delas a harmonia. Explora o material segundo “o princípio da chaconne”: uma série de acordes é reciclada continuamente durante a obra. Mas não esquece as suas buscas de outrora: volta a usar as sequências harmónicas já exploradas em obras como Kinetics, de há 27 anos atrás, evidenciando a sua tradição espectralista ao empregar um processo que se assemelha à harmonia funcional construída a partir da série dos harmónicos. Também o famoso acorde ‘Tristão’ usado por Wagner, que espoletou e continua a espoletar tanta discussão nos circuitos da análise musical, é usado como harmonia central. A harmonia e outros elementos de Two Episodes são assim uma convergência de ingredientes do passado.

     


    Luís Neto da Costa, 2017 

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