Selma Uamusse

voz

  • Moçambicana a viver em Portugal desde 1988, a decisão de se lançar a solo não foi tão repentina e óbvia quanto muitas vezes acontece. Vinda de uma família onde o canto e a dança eram encarados com toda a naturalidade, a entrada mais “séria” na vida musical aconteceu quando foi desafiada a entrar num grupo de gospel. Cinco anos depois, estava a participar no disco dos Wraygunn como integrante do coro que participou no álbum Ecclesiastes 1.11. Depois foi convidada para integrar a banda e a partir daí os convites para participar noutros projectos foram surgindo naturalmente. A estudar paralelamente engenharia, imaginava que o seu percurso passaria por “ser engenheira e (pensei) que voltaria para Moçambique para fazer desenvolvimento urbano” (entrevista ao Público, 2016). Ser mãe foi o acontecimento marcante que a levou a escolher entre a música e a engenharia, e a decisão já sabemos qual foi, caso contrário não estaria Selma hoje neste palco. Depois de escolher a maternidade e a carreira musical, começou a pensar no que queria realmente fazer, o que queria comunicar ao mundo e qual a canção que tinha dentro do seu coração. Simultaneamente, foi desafiada por Alcides Nascimento a programar no B. Leza, algo que a convidou a explorar profundamente as suas raízes. Aí apercebeu-se do seu lado “terra” que incutia à música, transversal aos projectos em que participava: fossem eles os tributos a Nina Simone ou as homenagens a Miriam Makeba, o gospel e até os Wraygunn. Estudou música no Hot Club, criou uma banda de soul (Soul Divers) e um ensemble jazz onde cantou Billie Holiday e Nina Simone. Foi ao Festival de Músicas do Mundo, em Sines, e deixou o público todo a dançar, contagiado pela energia das suas canções. Colaborou com Samuel Úria na homenagem a António Variações e participou no disco mais recente de Rodrigo Leão, um projecto em que esteve ao lado da Orquestra e Coro Gulbenkian.

     


    2016 

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