Battalia à 10
Heinrich von Biber , Wartenberg (Bohemia), August 12, 1644 / Salzburg, May 3, 1704
[1673; c.10min.]
-
1. Sonata: Allegro – Presto
2. Allegro
3. Presto
4. Der Mars
5. Presto
6. Aria
7. Die Schlacht
8. Adagio: Lamento der verwundten Musquetir
Em várias das suas obras, Heinrich von Biber usou como estímulo referências extramusicais, seja de forma simplesmente evocativa (como nas célebres Sonatas do Rosário, relativas aos 15 Mistérios da Virgem associados à devoção católica), seja de uma forma mais directa, como na Sonata Representativa para violino solo, onde se imitam as vozes do cuco, do rouxinol, do galo, da galinha e da rã. Composta para as celebrações do Carnaval de 1673 em Salzburgo, a Battalia obedece a um esquema programático bastante detalhado, que surge resumido no seu título completo: “A Batalha. A dissoluta horda dos mosqueteiros, Marte, a luta e o lamento dos feridos, imitado pelas árias e dedicado a Baco.” Para “pintar” musicalmente estes quadros, o compositor recorre a efeitos pouco habituais na música da época, alguns dos quais apenas se generalizariam séculos mais tarde. É o caso das notas “col legno” na Sonata de abertura ou do “pizzicato Bartók” na secção que descreve a Batalha propriamente dita. A peça termina com um Lamento pejado de ousadas dissonâncias e cromatismos. O segundo andamento (“A companhia dissoluta com todos os tipos de humor”) é um dos mais curiosos, contendo o seguinte comentário anotado pelo compositor: “aqui é completamente dissonante, pois é assim que habitualmente os bêbados costumam bradar as suas diferentes canções”. A referida secção consiste num Quodlibet formado por oito canções populares diferentes tocadas em simultâneo.
Cristina Fernandes, 2008




