Il Combattimento di Tancredi et Clorinda

Claudio Monteverdi, Cremona, May 15, 1567 / Venice, November 29, 1643

[1624; c.22min.]

  • Il combattimento di Tancredi et Clorinda é uma das obras mais importantes da história da música ocidental, embora não seja interpretada muito habitualmente. Escrita em 1624 por Claudio Monteverdi, trata-se de uma peça de teatro musical no sentido mais estrito da expressão. Foi concebida para ser representada em serões privados e consta de três personagens: as duas referidas no título e, ainda, um narrador (Testo), cada uma das quais com a sua voz própria em cena. Monteverdi introduz vários usos instrumentais que, na altura, constituíram novidades. Divide os instrumentos de corda em quatro partes e serve-se de elementos colorísticos (pizzicato, tremolos) e rítmicos com uma finalidade expressiva. Amplifica e sublinha desta forma o patetismo do texto verbal, e também adiciona elementos figuralistas que intensificam a descrição das situações pelo narrador. 

    A obra baseia-se no canto duodécimo do poema épico La Gerusalemme Liberata, publicado em fins do século XVI pelo célebre Torquato Tasso. O poema, tal como a cena de Monteverdi, localiza-se durante a Primeira Cruzada, situando-se ideologicamente no espírito da Contra-Reforma. A chamada à unidade na fé cristã e no dogma católico determinou a escrita do poema. No entanto, transformado por Monteverdi, esse aspecto passa para um segundo plano: o foco é posto por inteiro no patetismo da situação dramática. Tancredo foi uma personagem histórica que, pela pena de Tasso, se transformou num herói épico, apaixonado pela corajosa guerreira persa Clorinda que, sendo pagã, era também a sua inimiga. Il combattimento, através do narrador, que é por sua vez amplificado na parte instrumental, descreve o momento em que, sem se reconhecerem, Tancredo e Clorinda lutam entre si: vence o cavalheiro cristão, que, a seu pedido, baptiza e salva a virgem mortalmente ferida. Neste caso, o conflito, um antagonismo religioso representado pelos protagonistas, só se resolve no céu e a conciliação aqui é sinónimo de imposição da fé católica às restantes.


    Teresa Cascudo, 2014

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