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  • “Imagino uma forma compreensível no seu todo, larga e luminosa, um intervalo temporal que seduz o ouvinte numa direcção particular, ao mesmo tempo que constantemente mantém uma memória do caminho percorrido. (…) A força propulsora desse caminho é uma metamorfose, lenta, tenaz e incessante, que gradualmente altera as relações verticais entre as linhas”.

    As palavras são do próprio compositor – Jay Schwartz – a propósito da obra que hoje ouvimos – Music for Chamber Ensemble. Traduzem, na verdade, preocupações constantes do compositor, em especial com as ideias de metamorfose (a música vai-se transformando de forma lenta e gradual) e, implicitamente, de narrativa (a ideia de contar uma história, algo com princípio, meio e fim, que segue uma “direcção particular”). Nas suas narrativas musicais, Schwartz evita geralmente contar tudo logo no início, ou seja, não dá logo a ouvir os elementos mais característicos da composição. Em vez disso, começa com pequenos elementos sonoros que só aos poucos se desenvolvem e tomam forma. É exactamente isso que acontece em Music for Chamber Ensemble, que começa com sons muito agudos, em pianíssimo extremo – um fio de som que só gradualmente se expande. De acordo com o próprio compositor, trata-se de uma estratégia compositiva inspirada pela música de Sibelius, em que frequentemente o tema só aparece no final do andamento.

    A música de Schwartz não trabalha, contudo, com temas convencionais (ou seja, melodias reconhecíveis e recorrentes). Na verdade, tem muito pouco conteúdo melódico. O que, em vez disso, ouvimos é uma espécie de massa sonora, em constante (mas lenta) transformação, em que a qualidade do som (o timbre) adquire uma importância primordial. É, aliás, notável a imaginação sonora do compositor, como constantemente se sente ao longo de Music for Chamber Ensemble: perguntamo-nos, por vezes, se o que estamos a ouvir é realmente um ensemble de instrumentos convencionais, de tal forma as sonoridades se revelam fantasmagóricas, hipnóticas e irreais. Parece haver nesta música um apelo a um mundo mágico, pré-racional, primevo.

    Embora americano, Schwartz vive há muito tempo na Europa e é neste continente que mais tem trabalhado, recebendo encomendas de algumas das principais orquestras e ensembles. Music for Chamber Ensemble, em particular, é resultado de uma encomenda do Ensemble NYYD, um grupo estónio de música contemporânea, tendo sido estreada por esse ensemble, dirigido por Olari Elts.


    Daniel Moreira, 2016 

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