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  • É muito peculiar a versão da antífona mariana Salve Regina que nos apresenta o compositor estónio Erkki Sven Tüür. Composta em 2005, a música soa distintamente contemporânea, em especial pelas harmonias e sonoridades do ensemble instrumental que acompanha o coro; ao mesmo tempo, porém, a obra remete-nos igualmente para um universo ancestral, não só pela escrita vocal, que com o seu carácter ornamental e melismático (muitas notas para cada sílaba) evoca um universo oriental antigo, mas também pela percussão, muito austera – apenas os ritmos de um batuque –, evocando uma espécie de ritual arcaico. Outro aspecto curioso é o facto de a obra envolver apenas vozes masculinas – baixos e tenores – e de esses dois naipes começarem por cantar em uníssono, criando a expectativa de saber se continuam assim até ao fim da peça, ou se, pelo contrário, passarão a cantar partes diferentes. É também interessante que, embora praticamente nada se repita exactamente da mesma forma, a peça mantém sempre, ao longo dos seus seis minutos, uma identidade muito forte, um carácter que, em certo sentido, parece imutável.

    Esta peça é, nesse sentido, plenamente representativa do estilo recente do autor, que ele designa de “composição vectorial”. Nesse estilo, “toda a composição está contida num código gerador – um gene que, à medida que sofre mutações e cresce, liga os pontos na estrutura de toda a obra”. Certamente se sente isso em Salve Regina: a música vai mudando, mas tudo parece provir de uma ideia única. Este estilo – que Tüur vem desenvolvendo desde 2003 – opõe-se ao que anteriormente praticava (sobretudo durante os anos 90), em que combinava numa mesma peça linguagens musicais opostas (tonalidade e atonalidade, por exemplo), numa abordagem comparável ao poliestilismo de Schnittke (discutido mais à frente nesta nota de programa).

    Nascido na Estónia ainda quando esta fazia parte da União Soviética, Tüur estudou no Conservatório de Tallinn e, na sua juventude, foi vocalista num grupo de rock progressivo, para o qual compunha num estilo que designou de “rock de câmara”. Aos poucos, encaminhou-se mais para o campo da música erudita e sobretudo para a composição para orquestra, sendo hoje especialmente reconhecido pela sua música instrumental (incluindo 8 sinfonias, 9 concertos e uma ópera). É, desde os anos 90, um dos compositores estónios mais tocados na Europa.

     


    Daniel Moreira, 2016 

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