oriental do Sacro Império Romano-Germânico: Österreich, a "fronteira Este". É então com a Áustria, País da Música por excelência, que teve e tem em Viena o centro paradoxal de tradição e inovação, de conservadorismo e das mais arrojadas vanguardas, que nos propomos confrontar na Casa da Música neste ano redondo de 2010. Com a Áustria cruzámo-nos historicamente na Dinastia de Habsburgo e temos em comum muito semelhantes dimensões e número de habitantes, além da mesma religião. Entre o muito que nos distingue, há o contexto geo-político, histórico e cultural. Portugal, periférico e com uma única fronteira terrestre, cedo teve de sair para procurar o Outro; ancorada entre Germânicos, Italianos, Húngaros, Boémios e Otomanos, à Áustria sempre o Outro veio ter com ela. Facto notável é que, estando no centro de influências tão diversas, a Áustria soube construir ao longo da sua história uma fortíssima identidade que, olhada do exterior, tem inequivocamente na cultura a sua imagem de marca. Uma imagem que tanto funciona no imaginário do cidadão comum, para quem a Áustria é a Música, sua programação o conceito de País Tema, enquanto fio condutor da sua temporada de concertos. À escolha de Espanha como País Tema 2007 presidiram critérios de ordem musical e de proximidade geográfica, com a consciência de que nem sempre essa vizinhança se tinha traduzido ao nível do intercâmbio cultural e artístico. Em 2008 a escolha recaiu não sobre um País mas sobre o conjunto dos Países do extremo Norte da Europa, enquanto contraponto geográfico mas também sócio- -cultural; extraordinário exemplo na implementação de um sistema de ensino da música notável e de políticas de apoio e estímulo à criação de património e sua divulgação que fazem da cultura e da excelência na prática musical uma das imagens de marca dos Países Nórdicos. 2009 foi o ano do Brasil, limite Oeste da influência civilizacional portuguesa. É difícil falar do Brasil e imaginar o Brasil sem a música. |