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CLAUDE VIVIER
Montreal, 14 de Abril de 1948 | Paris, 12 de Março de 1983

Trois Airs pour un opéra imaginaire

Natural de Montreal e filho de pais incógnitos, Claude Vivier foi adoptado em criança vindo mais tarde a ingressar num seminário religioso onde deu os primeiros passos no âmbito da composição musical. No entanto, a natureza pessoal e muito distinta da sua escrita manifestou uma profunda deslocação em relação à sociedade (Vivier dedicou muito tempo da sua vida de adulto a procurar os pais biológicos, especialmente a mãe). Após terminar os estudos no Conservatório de Montreal, ganhou uma bolsa de estudos do Arts Council do Canadá em 1971, a qual lhe permitiu estudar electroacústica com Gottfried König no Instituto de Som e Acústica de Utrecht.
Após terminar este curso, Vivier mudou-se para Colónia trabalhando com Stockhausen e Hans Ulrich Humpert. No âmbito da electrónica, experimentou diversos processos de composição: quantificação de parâmetros, permutação de estruturas, modelação em anel. Esta última, implicando a multiplicação de duas ondas sonoras diferentes, era particularmente apelativa para Vivier e o espectro tonal resultante é replicado nas harmonias das suas composições tardias. A tomada de consciência desta nova linguagem em Change, desse mesmo período, foi referida por Vivier como "o primeiro momento da minha existência enquanto compositor."
Em 1976 Vivier fez uma longa viagem pela Ásia. A influência da ilha de Bali, na Indonésia, mudou o seu pensamento numa nova direcção dando à sua música uma nova simplicidade que se materializou em padrões rítmicos afirmativos e texturas monódicas. A sua música adquire neste período uma beleza mais emotiva: sem harmonia convencional, empregando muito pouco contraponto, Vivier cria camadas de som, dando-lhes forma e esculpindo-as num todo expressivo.
Em 1981, uma nova bolsa do Arts Council do Canadá permitiu-lhe fixar residência em Paris. Foi aqui que Trois Airs pour un opéra imaginaire foi composta. Usando uma linguagem imaginária escrita por si (uma das frases iniciais é "Ko no rè cha Ko eux wo bist du o Lie-be moy ou-o-a-è"), Vivier emprega uma grande diversidade de recursos vocais, jogando com sílabas, rolando as consoantes, fazendo vibrar determinadas vogais. Apenas duas frases reais são dadas a ouvir, em alemão: "Onde estás meu amor?" e "onde foi o amor?". Um ar de tragédia e lamento impregna a obra e este sentimento é reforçado pelo efeito sonhador do texto imaginário.
Harmonicamente construída a partir de modos diferentes, com os instrumentos a acompanhar a linha vocal proeminente numa massa de escalas em rápido movimento, a escrita conduz a cantora a um êxtase emocional. Numa estranha troca de ênfase, é apenas através de acções musicais tais como mudanças de textura ou gestos percussivos claros que o elemento narrativo de Trois Airs é compreendido. A atmosfera altamente pessoal destas últimas obras originou diversos comentários que as relacionam com a estranha e trágica morte de Vivier. O compositor foi assassinado em Paris aos 35 anos de idade - um crime que permanece por resolver.

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