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| | | FREDERIC ANTHONY RZEWSKI | Coming Together
O pianista e compositor norte-americano Frederic Rzewski estudou nas Universidades de Harvard e Princeton com Walter Piston, Roger Sessions e Milton Babbitt. Estudante de Literatura grega e Filosofia, as suas composições foram influenciadas pela amizade que mantinha com John Cage. Tendo ganho reputação como virtuoso do piano, viajou para a Europa na década de sessenta, estudando com Dallapiccola em Itália onde em 1966 participou na fundação de um agrupamento chamado Musica Elettronica Viva (MEV). Sedeado em Roma, o grupo apresentou-se em toda a Europa fazendo improvisações com instrumentos e electrónica em tempo real. As primeiras experiências do grupo com amplificação e o uso de sintetizadores para realizar mutações sonoras deram rapidamente nas vistas uma vez que terminavam frequentemente com distúrbios públicos. O seguinte testemunho sobre um concerto do MEV foi dado pelo próprio Rzewski numa entrevista em 2003: «.. Fomos a esse evento e nessa tarde eu escrevi os textos ao correr da pena; à noite fizemos o happening, o qual consistiu maioritariamente em coisas muito livres, acções improvisadas. Lebel sugeriu ao público que abandonasse o espaço e levasse o teatro para as ruas. As pessoas da organização e as autoridades presentes viram o local cheio de gente a fumar boa ganza e passaram-se, decidindo encerrar o evento cortando a electricidade. O MEV estava a tocar e de um momento para o outro deixou de se ouvir! Jean Jacques decidiu ir para a rua e levar o evento directamente para o centro da cidade. No dia seguinte, a Universidade foi ocupada pelos estudantes - o acto contra os artistas teve um efeito inflamatório.» Como acontece frequentemente com as obras de Rzewski, Coming Together combina elementos escritos com outros improvisados. A partitura consiste numa linha escrita com 16 notas a partir das quais os músicos extraem o seu material seguindo instruções detalhadas. A música recorre ao texto de Sam Melville, prisioneiro em Attica por altura das revoltas de 1971. Este acontecimento chocante no qual 43 pessoas perderam a vida é tragicamente descrito pelas palavras optimistas de Melville: «Penso que a combinação da idade com uma maior maturidade é responsável pela sensação da velocidade com que o tempo passa. Faz agora seis meses, e posso dizer sinceramente que poucos períodos da minha vida passaram tão depressa. Encontro-me em excelente condição física e mental. Há muitas incertezas quanto ao futuro, mas sinto-me seguro e preparado. Perante a brutalidade indiferente, o barulho incessante, a química experimental da comida, os ataques de histeria de homens perdidos, posso agir com clareza e sentido. Sou deliberado nas minhas acções, por vezes até mesmo calculista, raramente sou melodramático a não ser quando quero provocar uma reacção nos outros. Leio muito, faço exercício, falo com os guardas e com companheiros, procurando encontrar o inevitável sentido da minha vida.» Jonathan Ayerst |
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