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  • João Domingos Bomtempo é uma figura proeminente da História da Música em Portugal a vários títulos, já que para além de ter desempenhado uma acção pioneira ao nível das instituições, foi também inovador enquanto criador e intérprete. Podemos, aliás, considerá-lo a figura charneira do período de transição do final do Antigo Regime para a Idade Moderna, esta última politicamente associada às convulsões liberais.

    Filho do oboísta italiano Francisco Xavier Bomtempo, João Domingos Bomtempo estudou com o pai tendo sido também aluno do Seminário da Patriarcal. Tornou-se membro da Irmandade de Santa Cecília desde os 14 anos e desde cedo integrou a Real Câmara como oboísta, sucedendo a seu pai. Pode assim avaliar-se que o jovem músico terá conhecido o principal reportório da época, nomeadamente sacro, que se constituía, aliás, como o domínio nuclear do investimento da Corte em termos de representação pública. Ao contrário de um certo circuito dominante de deslocação dos músicos para Itália como plataforma de alargamento cosmopolita da sua actividade, Bomtempo, tal como, anteriormente, João Baptista André Avondano (que morreu em 1800) ou José Avelino Canongia (1784-1842) alguns anos mais tarde, escolheu Paris. Na capital francesa, conquistou fama sobretudo como pianista mas também como compositor, desenvolvendo aqui uma amizade frutuosa com Muzio Clementi que lhe publicaria uma parte considerável da sua obra. Refira-se ainda a propósito que os seus dois primeiros Concertos para piano e a Sinfonia nº 1 foram largamente aplaudidos no Journal général de la France e no Courrier de l’Europe.

    A obra de Bomtempo no seu conjunto abarca praticamente todos os principais géneros musicais do seu tempo, privilegiando naturalmente a produção para piano que alimentou parte importante da sua actividade enquanto instrumentista virtuoso. A análise da sua obra dá-nos conta por isso não só da sua proficiência pianística, mas testemunha um músico de alargada cultura musical não apenas no que diz respeito à tradição italiana, mas também perfeitamente integrado nos principais circuitos de gosto na Europa que entronizavam Haydn, Mozart e o Beethoven do primeiro período a par de outras referências de massivo alcance internacional como Pleyel, Viotti ou Rossini.

    Quando gozava já de considerável fama internacional como compositor mas sobretudo como pianista, João Domingos Bomtempo acalentou o projecto de protagonizar uma acção reformista para o quadro musical português que considerava caduco, sobretudo ao nível da formação profissional, mas também das plataformas de apresentação pública. Desta feita levou a cabo a criação da Sociedade Filarmónica de Concertos em 1822 (segundo o modelo da sua congénere londrina) com o intuito de promover a música instrumental através de concertos públicos, demonstrando ainda alguma preocupação no que respeitava à renovação de reportório. Ainda no plano das instituições importa sublinhar, a título introdutório, a acção de Bomtempo ao nível da reforma do ensino da música. Sabe-se nomeadamente que elaborou um projecto de reestruturação para o Seminário da Patriarcal (a principal instituição de formação musical na época) nesse mesmo ano de 1822. Este projecto não chegou até aos nossos dias, mas ficaríamos a conhecer da sua lavra a criação de uma nova Escola de Música que se constituiu como o embrião do futuro Conservatório, num documento que data de 1834 e apresenta claras influências do modelo de ensino do Conservatório de Paris. A escola materializou-se por decreto em 1835, sendo um ano depois incorporada num projecto mais amplo concretizado por Almeida Garrett, que incluía para além da Música, as Escolas de Declamação e Dança. A ligação de Bomtempo à Direcção da Escola de Música do Conservatório, sediado no Convento dos Caetanos no Bairro Alto (Lisboa), perdurou até à data de sua morte em 1842. A 5 de Novembro desse mesmo ano, o Conservatório celebrou as exéquias solenes do músico na Igreja de S. Caetano com o Requiem op.23 e o Libera me em Dó menor, interpretados por professores e alunos da Escola de Música que prestaram assim uma última homenagem ao seu fundador.


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