George Brecht

Nova Iorque, 27 de Agosto de 1926 / Colónia, 05 de Dezembro de 2008

  • George Brecht faleceu recentemente, em 2008, na cidade alemã de Colónia onde vivia desde 1971. Nos últimos anos não se ouviu falar muito dele, pois afastou-se gradualmente da vida social ao mesmo tempo que a sua saúde se degradava lentamente. Aceitou apenas duas retrospectivas da sua obra nos últimos 30 anos de vida. Após a última, que foi apresentada nas cidades de Colónia e Barcelona em 2005-6, recebeu o prestigiado prémio Berliner Kunstpreis. Anteriormente, este prémio já tinha destacado vários artistas, entre os quais os compositores Pierre Boulez (1996), Luigi Nono (1990), Olivier Messiaen (1884) ou György Ligeti (1972). Estamos, pois, a falar de uma figura maior da cultura a nível mundial.

    George Brecht foi, para muitas das pessoas com quem se relacionou, um cientista respeitado que trabalhou em empresas farmacêuticas e petrolíferas mundialmente conhecidas. Mas foi no domínio das artes plásticas e da música que alcançou a imortalidade. Mesmo que queiramos resumir, não o conseguimos, pois a sua vida é daquelas que dava um filme.

    Natural de Nova Iorque, George Ellis MacDiarmid foi filho de um flautista profissional que tocava nas célebres bandas de John Philip Sousa. Após a morte do pai, por alcoolismo, o jovem de dez anos mudou-se com a mãe para Atlantic City. A Segunda Grande Guerra trouxe-o para a Europa em 1943. Foi em território alemão, na Floresta Negra, que adoptou o nome Brecht pela simples razão de gostar da sonoridade da palavra. Regressou depois aos Estados Unidos, onde terminou o curso e entrou no mercado de trabalho. Paralelamente, interessou-se pelo estudo do acaso na arte. Atraído pelo dadaísmo e o surrealismo, começou a criar as suas obras de arte (esculturas, pinturas, composições de objectos, performances musicais). Descreveu-as como um olhar sobre os pequenos detalhes do dia-a-dia e as constelações de objectos que nos rodeiam e que nos passam despercebidos. Deu consigo a frequentar cursos com John Cage e a visitar a Europa regularmente. Na década de sessenta, as suas obras eram verdadeiroshappenings, tornando-se numa das figuras-chave do movimento Fluxus.

    Um violino a ser cuidadosamente polido ganhava o nome de Solo for violin, a montagem e desmontagem de uma flauta, Flute Solo, entrar em palco e colocar o instrumento no chão, Solo for wind instrument. O sentido de humor nestes happenings estava sempre presente: um músico entra em palco com uma caixa que abre e de onde retira um trompete; olha para ele, coloca-o novamente na caixa e abandona o palco era uma peça que dava pelo nome de Solo for saxophone.

     


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