Leoš Janačék

Hukvaldy, 03 de Julho de 1854 / Ostrava, 12 de Agosto de1928

  • De origem checa, Leoš Janáček destacou-se como director orquestral, organista e pedagogo, tendo‐se revelado, nomeadamente a partir do final da Primeira Guerra Mundial, um dos mais apreciados compositores de ópera do século XX. Filho e neto de professor e director coral, estudou em Praga e, mais tarde, no Conservatório de Leipzig, tendo-se transferido, em 1880, para o Conservatório de Viena, onde estuda com Franz Krenn. Em 1888, foi convidado por Frantisek Bartos para trabalhar na recolha de música tradicional no norte da Morávia, então império austríaco, de onde Janáček era originário. Desenvolveu, então, um cuidadoso trabalho de pesquisa de frases e expressões populares checas (fazendo anotações minuciosas das entoações que, mais tarde, serviriam de base à construção de melodias e a experimentações tonais, nomeadamente através do uso dos materiais tradicionais e de linhas melódicas originadas a partir dos ritmos e cadências da fala, como se observará sobretudo no seu trabalho operático – de que é exemplo a sua ópera Jenufa de 1904 ou Kátia Kabanová (1921) – e antecipando correntes de composição como a de Béla Bartók, numa busca de realismo musical e de ligação com o quotidiano e a vida das pessoas). Para além das edições das recolhas de música tradicional, Janáček trabalharia na Exposição Etnográfica de Praga (1895) e comporia uma série de danças orquestrais e suites (Danças para Lassko, Suite para Orquestra, ou o bailado de inspiração folclórica Rákos Rákoczy) e a ópera em um acto Pocátek románu (“O início de um romance”), que popularizaram o seu trabalho de recolha e pesquisa. A sua obra, que inicialmente assume as características da linguagem musical do século XIX, sendo de grande referência a herança de Dvořák e Smetana, apresenta uma passagem para uma fase de maturidade a partir da composição da ópera Jenufa com o consequente desenvolvimento de um estilo de composição próprio. Os ritmos acentuados, a ligação entre texto/palavra e ritmo, um contexto de tonalidade alargada, recorrendo a experimentações harmónicas e ao uso da modalidade, são características da música de Janáček. Na última fase da sua vida interessa-se sobretudo por composição de ópera, demonstrando na sua linguagem a evidência de experimentações no domínio do timbre e das possibilidades dos instrumentos.