Fernando Lopes-Graça
Tomar, 17 de Dezembro de 1906 / Parede, 27 de Novembro de 1994
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Nascido na cidade de Tomar, onde iniciou os seus estudos musicais, ingressou, com a idade de dezassete anos, no Conservatório de Lisboa. Aqui, completou o Curso Superior de Composição, durante o qual teve como mestres Vianna da Motta, Tomás Borba e Luís de Freitas Branco. Durante este período, foi também aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que abandonou em 1931, numa de várias atitudes de protesto político contra o regime ditatorial que vigorava em Portugal, pelas quais veio a ser perseguido e encarcerado por diversas vezes. Partiu em 1937 para Paris, cidade onde permaneceu durante dois anos, aí aprofundando os seus estudos em composição e musicologia. Datam deste período as suas primeiras harmonizações de canções populares portuguesas, que viriam a ter uma influência central e decisiva em toda a sua longa carreira. De facto, Lopes-Graça principiou aqui a sua orientação para uma linha estética de raiz folclorista, que reflectia influências de Béla Bártok, Zoltán Kodály ou Manuel de Falla. As obras subsequentes são marcadas pela assimilação e incorporação de material harmónico, melódico e rítmico proveniente do universo da música popular portuguesa – ou da “música rústica” portuguesa, nos termos de Mário Vieira de Carvalho. Ao longo da década que sucedeu o retorno a Portugal, a actividade de Fernando Lopes-Graça foi sendo cada vez mais influenciada pelo seu vínculo político contrário ao regime de Salazar.




