Arnold Schoenberg

Leopoldstadt, 13 de Setembro de 1874 / Los Angeles, 13 de Julho de 1951

  • O compositor austríaco Arnold Schönberg (naturalizado cidadão americano em 1941), foi uma das figuras mais importantes e influentes da música do século XX. Foi o criador e grande impulsionador do dodecafonismo – técnica de escrita musical em que nenhum dos 12 sons da escala cromática tem maior importância do que os outros, e onde as noções de tónica e dominante, por exemplo, deixam de fazer sentido. Schönberg encarou esta nova organização sonora como uma consequência inevitável da desagregação do sistema tonal, já iniciada por Liszt (últimas peças) mas sobretudo por Wagner, e que conduziu ao que ele designou a “emancipação da dissonância”. Curiosamente, o termo atonal usado para descrever a música dodecafónica não agradava a Schönberg, preferindo a designação pantonal.

    Schönberg personifica bem a figura do artista inovador e revolucionário. Em diversas situações ao longo da história da arte, inovar e romper com um sistema ou situação estabelecida, pressupôs um conhecimento sólido e profundo nessa área específica. De outro modo, não se estaria a romper com nada. Schönberg tinha um grande conhecimento prático e teórico da música e da sua evolução, tendo afirmado: “sou um conservador que foi forçado a tornar-se revolucionário”.

    De formação essencialmente autodidacta, para além de intérprete (tocou violino e violoncelo) e compositor, Schönberg foi um teórico e pedagogo notável. Deixou trabalhos e escritos fundamentais sobre as bases da composição e da análise musical. Schönberg foi a figura central da “Segunda Escola de Viena”, juntamente com os seus brilhantes discípulos Alban Berg (1885-1935) e Anton Webern (1883-1945), ambos vienenses (a designação “segunda” resulta da existência em Viena nos séculos XVIII e XIX de uma outra famosa tríade constituída por Haydn, Mozart e Beethoven).

    Schönberg dedicou-se também à pintura na linha do movimento artístico expressionista. A partir de 1907, Schönberg trabalhou com Gerstl, um dos expoentes máximos do expressionismo austríaco e chegou mesmo a pertencer ao grupo expressionista Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul) fundado por Kandinsky. Em 1911 dá-se o encontro de Schönberg com Kandinsky, tendo-se desenvolvido uma grande amizade e influência estética e artística entre eles. Embora com percursos independentes, é na mesma época em que Schönberg trabalha no sentido da dissolução do sistema tonal que Kandinsky se direcciona para o abstraccionismo.

    À semelhança de outros expressionistas, Schönberg pintou muitos auto-retratos (59), o que para Barbara Russano Hanning poderá significar “um constante questionar da sua própria identidade e do seu lugar entre os modernistas”.

    A produção musical de Schönberg pode ser dividida em quatro períodos: um primeiro período tonal, assumidamente na esteira da tradição romântica alemã (Ex:Noite Transfiguada op.4, Gurrelieder); o segundo período a partir de 1908, atonal (6 Peças para piano op.19); o terceiro período de 1920-1936 de base dodecafónica e serial (Variações para orquestra op.31), e finalmente o quarto período onde se dá o “reaparecimento intermitente da tonalidade” onde tenta uma síntese entre tonalidade e serialismo (Sinfonia de Câmara nº 2).

    Schönberg foi uma figura extremamente controversa: criticado pelos conservadores por abandonar o sistema tonal, e igualmente criticado pelos vanguardistas (em particular por Boulez) por não ter levado o dodecafonismo até às últimas consequências.

     


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