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  • Hans Zender começou a sua carreira musical como pianista, maestro e aluno de composição de Wolfgang Fortner, em Freiburgo. Foi durante décadas maestro titular de inúmeras orquestras, onde transmitiu consciência e sensibilidade através da música, defendendo e divulgando com abertura e curiosidade obras de compositores contemporâneos. Foi Maestro Titular da Ópera de Bona, da Orquestra de Kiel, da Orquestra Sinfónica da Rádio de Saarbrucken e da Orquestra de Câmara da Rádio Holandesa; e Director Musical e Geral da Ópera Estatal de Hamburgo. Colaborou como Maestro Convidado e membro do Conselho Artístico da Orquestra Sinfónica SWR.

    Artista interdisciplinar por excelência, procurou compreender a essência da experiência auditiva, através do seu trabalho como compositor e maestro e como autor de ensaios profundos. Preocupava-se com diversas culturas e com a reavaliação do nosso passado musical, bem como com questões político-culturais. Através do desenvolvimento da sua própria forma de harmonia microtonal, criou a possibilidade de um som puro, livre das restrições da afinação temperada.

    A sua obra é olhada como sucessora de trabalhos de Schoenberg e Zimmermann. Englobando todo o espectro musical, desde a música de câmara até grandes peças orquestrais e de teatro musical, o seu trabalho é caracterizado pelas referências literárias, filosóficas, históricas e religiosas. O ciclo Cantos, iniciado em 1965 e do qual faz parte Logos-Fragmente (2006-2009), inclui música vocal para vários tipos de ensembles. Inspirou-se frequentemente em obras de Friedrich Hölderlin (a quem dedicou o ciclo Hölderlin lesen), Hugo Ball, William Shakespeare e Henri Michaux. Oh cristalina…, a quarta composição do seu ciclo com texto do escritor e místico San Juan de la Cruz, foi estreado pela Orquestra e Ensemble Vocal SWR, sob a direcção de Emilio Pomàrico, em 2014. Abriu novos horizontes na música criando o género de “interpretação composta”, do qual são exemplos os seus arranjos de Winterreise de Schubert e das Variações Diabelli de Beethoven (33 Variações sobre 33 Variações). No Verão de 2019 criou uma nova versão das Variações (Veränderungen).

    Através da prática do Zen, Hans Zender encontrou orientação interior e o refinamento de capacidades de percepção que guiaram todo o seu trabalho criativo. O interesse pela filosofia e pela estética do Extremo Oriente resultou na série de peças Japanese, escritas entre 1975 e 2009 para vários instrumentos — do solo à orquestra  —, e que se focam na percepção do tempo.

    A música escrita para teatro lida também com a ideia de temporalidade e vai muito além da narrativa linear. Na sua primeira ópera, Stephen Climax (1978/84), adaptada de Ulisses de James Joyce, Hans Zender debruça-se na ideia de Zimmermann de ubiquidade do passado, presente e futuro. Don Quijote de la Mancha, estreada em 1993, consiste em “31 aventuras teatrais”, cada uma com um elenco diferente de personagens, e que é uma referência à “incapacidade da sociedade ocidental lidar de forma produtiva com estilos de vida diferentes”.

    Hans Zender foi Professor de Composição no Conservatório de Frankfurt entre 1988 e 2000. Foi membro das Academias das Artes de Hamburgo, Berlim e Muni­que. Recebeu inúmeros galardões, destacando-se o Prémio de Arte de Saarland, o Prémio Goethe, o Prémio da Cultura de Hessen e o Prémio Europeu de Música Sacra. Com a criação da Fundação Hans e Gertrud Zender, em 2004, os Zenders encontraram uma forma de se envolverem ainda mais política e culturalmente com o mundo e criaram o prémio Happy New Ears, atribuído a compositores e mediadores musicais.

    O seu 80.º aniversário, em Novembro de 2016, foi comemorado com espectáculos pelo mundo todo. Mais recentemente, a temporada de 2019/20 trouxe apresentações do Winterreise — incluindo uma nova produção do artista holandês Aernout Mik na Ópera Estatal de Estugarda — bem como o regresso de Mnemosyne pelo Arditti Quartet, no Festival de Música de Berna, e Issei no kyo pelo Ensemble Modern em Frankfurt e Colónia. No Outono passado, a versão revista de 33 Variações sobre 33 Variações foi estreada pelo Klangforum Wien, na Konzerthaus de Viena, seguindo-se apresentações sob a direcção de Peter Rundel com a Orquestra da Rádio Bávara e a Sinfónica WDR.

    Em 2019 foi lançada uma série de ensaios filosóficos, musicais, estéticos e político-culturais por Karl Alber no volume Sehen Verstehen SEHEN: Mediatationen zu Zen-Kalligraphien, criado em colaboração com o cientista e mestre Zen Michael Brück.

    Hans Zender faleceu em Meersburg, a 22 de Outubro de 2019, com 82 anos.


    2020

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