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  • Jeff Mills é uma das grandes estrelas planetárias do techno. Iniciou-se no início da década de 1980 com o nome “The Wizard”, e juntamente com “Mad” Mike Banks (ex‐baixista dos Parliament) fundou o colectivo techno de Detroit Underground Resistance, em 1989, que ganhou grande protagonismo não só pelas inovações musicais mas também pelo objectivo de despertar consciências políticas. Mills viveu entretanto em Nova Iorque, Berlim e Chicago, onde fundou a editora Axis em 1992, e as subsidiárias Purpose Maker, Tomorrow e 6277, todas procurando um som mais minimalista do que o techno da época. Produziu também singles influentes como Sonic Destroyer, The Bells e o ciclo Purpose Maker. Contudo, é um artista mais complexo do que aparenta, com uma ambição que muito ultrapassa a música techno e o trabalho como DJ.

    Mesmo que Jeff Mills se limitasse às edições de gravações minimalistas, obsessivas e percussivas para as pistas de dança, a sua música seria já mais variada do que o habitual. Em eventos especiais, nas suas misturas ouve‐se house, funk e soul, atraindo aqueles que antes resistiam ao seu estilo de techno. Em CD ou singles de edição limitada, a sua música é mais atmosférica e melodiosa. Os ritmos são silenciados, e outro lado da sua personalidade é revelado pelo swing do baixo, sons líquidos, sintetizadores amplos e teclados sonhadores. A sua música é um jazz estranho e cósmico, com o voluntarismo sinfónico e os atributos misteriosos da música de cinema.

    Este ex-estudante de arquitectura é também um entusiasta do cinema: 2001: Odisseia no Espaço é para si ainda um modelo de obra de arte total. Em 2000, compôs uma nova partitura para Metropolis de Fritz Lang, procurando por todos os meios afastar a sua imagem de “feiticeiro techno” para regressar à sua primeira motivação que alimenta a utopia, o pensamento futurista e uma verdadeira paixão pelos mundos e os cenários fantásticos da ficção científica. Um ano depois assinou Mono, uma escultura-instalação dedicada ao filme de Kubrick e exposta no Festival Sónar em Barcelona. Mas foi muito mais recentemente que Mills fundiu o seu amor por música e imagem e reenquadrou o seu trabalho como DJ. Em 2004 editou The Exhibitionist, o primeiro DVD da sua editora Axis. Trata‐se de uma filmagem multi-ângulos de um DJ set, permitindo-lhe abordar a produção de vídeo e coroar a sua carreira nos gira-discos. No mesmo ano começa a trabalhar com uma nova ferramenta, o Pioneer DVJ‐X1, um leitor de DVD e CD feito para DJs. Com esta máquina revolucionária, o DJ pode manipular sons e imagens ao mesmo tempo. Uma nova era inicia‐se para Mills, como para a maior parte dos seus pares. Em 2005, os acontecimentos precipitam-se. A pedido da MK2, compõe uma nova banda sonora para Three Ages, a obra‐prima muda de Buster Keaton. Segue-se uma espantosa digressão mundial, confirmando o seu talento como DJ e agora VJ.

    Contudo, não pararam por aqui as aventuras de Mills, agora tornado uma espécie de artista multimédia techno. Embora dedicado à produção de novos DVDs, mantém-se receptivo a novas experiências, tais como um concerto com a Orquestra Nacional de Montpellier dirigido pelo compositor René Koering. Após a experiência da sinfonia Hier, Aujourd’hui, Demain, a primeira colaboração entre música electrónica e uma orquestra filarmónica, a editora UWe e René Koering quiseram renovar a experiência de uma forma diferente, em 2011. Desta vez, uma orquestra completa esteve ao dispor do músico, e 16 temas escritos e seleccionados por si foram arranjados para 70 músicos, com Mills em palco manipulando as suas máquinas. Foi este projecto que deu origem a Light from the Outside World, apresentado em 2012 com a Orchestre National d’Ile de France na Salle Pleyel, em Paris, e agora na Sala Suggia. Aqui podem ouvir‐se temas melodiosos e amplos como Imagine, a profundidade e classe do techno com Gamma Player, composições avant-garde como Medium C, sem esquecer os hinos das pistas de dança The Bells, o inesquecível Amazon e Sonic Destroyer do período Underground Resistance.

    Profundamente aficionado da ficção científica, Jeff Mills vai buscar as suas ideias, conceitos, histórias e estética ao Espaço. Para Mills, o Espaço é uma obsessão e a sua música torna-se frequentemente ficção científica musical. À conquista do Espaço, a música encarna o futuro respeitando simultaneamente o passado e permanecendo no presente. Quando fundou a sua editora AXIS, em 1992 – um logo com quatro triângulos a apontar para um centro invisível –, Jeff Mills adoptou o princípio de rotação do sistema solar enquanto estética, conceito e modelo de criatividade. Desde o início, os seus primeiros trabalhos exploram o futurismo e ficção científica como em Mutant theory, Tomorrow, Art/UFO, Time Machine e Alpha Centauri. Para Mills, o futuro é uma força poderosa que explica a sua incessante actividade artística.

    Jeff Mills colabora com orquestras sinfónicas desde há muitos anos, e foi o primeiro DJ a gravar em DVD as suas actuações neste formato.

     


    2015

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