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  • Vistas no seu conjunto, as onze aberturas de Beethoven constituem um grupo pouco homogéneo, mas cujos exemplares mais conseguidos (e conhecidos) são parte fundamental da estética sinfónica do compositor. As origens e propósitos de composição de cada uma são igualmente distintos: quatro foram escritas para a ópera Fidelio; uma para um bailado; uma outra para um concerto; e as outras cinco foram escritas para o teatro. Uma destas últimas, a Abertura Coriolano op. 62, foi concebida como peça independente – ou seja, sem seguimento musical –, enquanto as outras quatro introduzem obras mais ambiciosas que, além da abertura, incluem também música incidental escrita para acompanhar uma acção dramática específica. A última escrita com este propósito é A Consagração da Casa (Die Weihe des Hauses, no original alemão), que data de 1822 e foi composta para a reabertura do então reconstruído e remodelado Theater in der Josefstadt – ainda activo nos dias de hoje. Na realidade, para este concerto, Beethoven reciclou parte da música de As Ruínas de Atenas (abertura e música incidental escritas em 1811 para a peça homónima de August von Kotzebue), substituiu a abertura por esta nova, alterou algumas secções e acrescentou um novo coro.

    Não sendo tão celebrada como a abertura Egmont, verdadeira obra-prima do género, A Consagração da Casa não deixa de ser uma obra de grande mérito e interesse. É estruturada em duas secções contrastantes – um prelúdio (Maestoso e sostenuto) e uma fuga (Allegro con brio) – e nela transparece de forma clara a influência de Georg Friedrich Händel, compositor cujas obras Beethoven muito admirava. O prelúdio abre com cinco acordes imponentes que estabelecem, desde logo, o carácter solene da situação. A estes seguem-se, num espaço de tempo relativamente curto, quatro episódios distintos: uma marcha ou procissão introduzida pelos sopros, aos quais o resto da orquestra se junta pouco depois; uma fanfarra festiva de carácter händeliano; um tema nervoso e expectante, sempre staccato; e, por fim, outro lírico e suave, após o qual se dá a transição para a fuga. É nesta secção, cujas dimensão e construção são deveras ambiciosas, que a tensão criada pelo contraste das secções anteriores explode num ambiente jubilatório que, uma vez mais, relembra o estilo de Händel.


    Francisco Sassetti, 2015

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