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  • 1. Lento – Allegro risoluto

    2. Lento

    3. Scherzo (Nocturno): Allegro vivace

    4. Andante con moto – Maestoso alla marcia – Allegro – Lento – Epílogo

     

    Embarquemos  numa viagem ao passado, até Londres. Aqui, Ralph Vaughan Williams descreve de forma quase tangível algumas das mais emblemáticas paisagens e marcos históricos da capital inglesa. De uma forma quase mística, proporciona-nos uma janela para o clima cultural, social e político que se vivia no Reino Unido, e particularmente em Londres, nos anos que antecederam a Primeira Grande Guerra. A Sinfonia é escrita de forma cristalina e podemos quase sentir um pouco do Impressionismo francês nas várias alusões à capital inglesa – possivelmente uma herança das aulas de orquestração que o compositor teve com Maurice Ravel.

    Uma das composições mais ambiciosas do início do século XX e indubitavelmente uma das composições favoritas de Vaughan Williams, como confessa em 1951 ao seu amigo e maestro Sir John Barbirolli, A London Symphony terá inicialmente sido pensada como um poema sinfónico baseado na cidade de Londres. A ideia de uma sinfonia ter-lhe-á sido apresentada pelo seu amigo e o compositor George Butterworth, estendendo-se a composição da obra entre os anos de 1911 e 1913. A estreia deu-se em 1914 no Queen’s Hall de Londres e obteve críticas bastante positivas. A Sinfonia sofreu várias revisões nos anos que sucederam à Primeira Grande Guerra e será a primeira destas revisões, e não a versão original, que escutaremos aqui hoje. Esta revisão terá acontecido já em 1918 e foi publicada em 1920, sendo determinante na compreensão do processo composicional de Vaughan Williams no pós-guerra, com a vontade de se afastar do estigma da composição de cariz programático. A revisão não se limitou apenas ao corte de pequenas passagens – que nos últimos três andamentos chegam a ser um terço da versão original e às quais o compositor se referiria como “música moderna, horrível” –, mas também à mudança dos títulos dos andamentos e mesmo até a sua sugestão para um novo título. Esta revisão inicial terá ainda sido incitada pelo exagero do nível programático apresentado numas notas de programa elaboradas pelo maestro Albert Coates, as quais Vaughan Williams considerou excessivas. Nesta altura, já o próprio compositor preferia referir-se a esta obra como A Symphony by a Londoner, e não A London Symphony.

    A obra em quatro andamentos começa com uma ilustração quase mágica de Londres que desperta com o nevoeiro que se levanta com a manhã nas margens do Tamisa, trespassado pelo som ubíquo do imponente Big Ben. A cidade desperta à medida que descobrimos o bulício das ruas e dos pregões. O segundo andamento é imerso num sentimento nostálgico, inicialmente descrito como uma referência a Bloomsbury Square numa noite de Novembro. No terceiro andamento, Nocturno como o intitulou Vaughan Williams na versão original, podemos quase sentir a natureza da noite londrina talvez um pouco embriagada e romantizada. O final da sinfonia abre com uma marcha e uma vez mais o som do Big Ben surge aqui talvez como um presságio do infortúnio que já se antevia, a inevitável chegada da Grande Guerra. O Epílogo do último andamento foi baseado na obra literária Tono Bungay de H. G. Wells, como admitiria, pouco tempo antes da sua morte em 1958, Vaughan Williams em conversa com Michael Kennedy (que viria a ser o autor da sua biografia). Tal como Vaughan Williams, também Wells descreve Londres numa analogia com as águas do Tamisa: “percorrer as águas do Tamisa até a foz é como desfolhar o livro da história de Inglaterra, página a página, do princípio ao fim. O rio passa, Londres passa, a Inglaterra passa.”

    Apesar das constantes evocações a Londres, aos seus símbolos históricos, aos pregões dos vendedores ambulantes e os sons do Big Ben que aludem ao sentido programático desta sinfonia, Vaughan Williams acreditava que a música se deveria impor, por si só, ao ser escutada, e entendida como música absoluta descrita apenas com palavras e títulos.

     


    Rui Pedro de Oliveira Alves, 2017 

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