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  • Em Março de 1807, num concerto privado dado no palácio do Príncipe Franz Joseph von Lobkowitz, estreava, a par com a Sinfonia nº 4 e com o Concerto para piano nº 4, a Abertura Coriolano, op.62, sobre a tragédia homónima de Heinrich Joseph von Collin, poeta, dramaturgo e diplomata do Ministério das Finanças austríaco, muito influente na época junto do Teatro Imperial de Viena. Na base do interesse que conduziu Beethoven à escrita desta obra de cariz programático, num momento em que se interessava por temas de carácter heróico, estava a história, já anteriormente narrada na literatura de Tito Lívio, Plutarco ou Shakespeare, do lendário general romano Gaius Marcius, cujo cognome Coriolanus lhe teria sido atribuído após o cerco da cidade de Corioli, no território dos Volscos, que culminara na vitória romana, no século V a.C.. Aspirando ao lugar de cônsul, Coriolanus acabaria por não ser eleito por oposição da plebe, contra a qual reagiu com extrema violência, o que lhe teria valido a acusação de traição à democracia e a consequente condenação ao exílio. Decido a vingar‑se, Coriolanus ter‑se‑ia aliado aos Volscos, cuja derrota havia chefiado, e planeado a invasão de Roma. Teriam sido a sua mãe, Volumnia, e a sua mulher, Virgília as únicas a conseguir dissuadi‑lo, implorando‑lhe que assinasse, com Roma, um tratado de paz. Considerado de novo um traidor, desta feita pelos Volscos, Coriolanus acabaria por morrer: pela pena de Shakespeare, assassinado; pela pena de Collin, num acto suicida.

    A estrutura e os temas melódicos desta Abertura, em Dó menor, assente numa forma‑sonata, acompanham a sequência do momento catártico da tragédia: ao tema principal, em Dó menor, caracterizado por três assertivos acordes iniciais representando o carácter bélico e determinado de Coriolanus, segue‑se o delicado e fluente tema em Mi bemol maior que representa o pedido de sua mãe e mulher para que renuncie ao plano de invadir Roma; o final da peça reflecte a tragicidade da narrativa, o silêncio da morte representado nos três acordes do tema de Coriolanus, desta feita em pianissimo.

     


    Rosa Paula Rocha Pinto, 2012

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