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  • Glinka é uma figura fundamental da música russa. Ao combinar de forma original elementos estilísticos das grandes tradições da música europeia (italiana, francesa e alemã) com outros especificamente russos (sobretudo música folclórica), abriu o caminho – ou serviu de precursor – para o florescimento da escola nacionalista russa na segunda metade do século XIX, em particular os famosos “Cinco” – Balakirev, Cui, Mussorgski, Rimski-Korsakoff e Borodin. Com o folclore russo, Glinka familiarizara-se desde pequeno, ouvindo-o cantado pelos seus criados; e uma viagem ao Cáucaso, ainda muito jovem, deu-lhe a conhecer outros exemplos. Quanto à música de outros países europeus, Glinka tomou contacto directo com ela: entre 1830 e 1833 viveu em Itália, absorvendo os modelos da ópera italiana (em especial Rossini); depois viveu um ano em Berlim, consolidando a sua técnica compositiva em aulas com Siegfried Dehn; em 1844 foi a França, onde se torna conhecido graças a Berlioz; e de 1845 a 1847 viveu em Espanha, absorvendo também elementos do folclore nacional (que continuariam a ser importantes na música russa, em especial em Rimski-Korsakoff).

    A Abertura da ópera Russlan e Ludmila é uma das páginas mais frequentemente tocadas de Glinka. A ópera – que, na sua integralidade, é muito raramente tocada – baseia-se num poema de Pushkin (ele próprio baseado em contos populares que Pushkin ouvira em criança). Inicialmente estava até planeado que Pushkin escrevesse o libreto da ópera, mas a sua morte prematura num duelo, em 1837, impediu que isso acontecesse. Glinka compôs então a ópera com base num libreto redigido por vários autores (incluindo Valerian Shirkov, Nestor Kukolnik e N. A. Markevich), terminando a composição em 1842. A ópera é uma espécie de conto de fadas épico (mas em tom ligeiro), que conta a história do rapto de Ludmila, filha do Príncipe Vladimir, de Kiev, por um feiticeiro maléfico – o anão Tchernomor – e a acção do bravo cavaleiro Russlan para a encontrar e salvar.

    Como é habitual na ópera do século XIX, a Abertura apresenta uma espécie de resumo da música que a seguir se ouvirá. No caso desta Abertura, ela compõe-se, fundamentalmente, de três elementos: o tema de Russlan, com que a peça começa, representando a bravura e jovialidade do cavaleiro, através do carácter enérgico e impetuoso da música (dado por desenhos alucinantemente rápidos nas cordas, em uníssono); o tema mais lírico ouvido um pouco à frente, com uma melodia delicada (mas ainda assim, bem animada) nos violoncelos e violas, representando o amor de Russlan por Ludmila; e, na parte central da peça, a representação das forças do mal, encarnadas pelo anão Tchernomor, com o predomínio dos instrumentos graves (trombone, contrafagote, violoncelos e contrabaixos) e notas enigmáticas, estranhamente imóveis nas trompas, entrecortadas por misteriosos pizzicatos nas cordas.

     


    Daniel Moreira, 2016 

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