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  • . Introdução (Nascer do sol) –

    . Dos mundos interiores –

    . Da aspiração suprema –

    . Das alegrias e paixões –

    . O canto do túmulo –

    . Da ciência –

    . O convalescente –

    . O canto da dança –

    . O canto do viajante da noite

     

    Richard Strauss compôs Assim Falou Zaratustra em 1896, na década seguinte à publicação do célebre livro de Nietzsche. Para servir de guia à audição da obra na sua estreia, em Novembro desse ano, em Frankfurt, Strauss distribuiu ao público o seguinte programa:

     

    “Primeiro andamento: nascer do sol. O homem sente o poder de Deus. Andante religioso. Mas o homem anseia ainda. Entrega-se às paixões (segundo andamento) e não encontra a paz. Vira-se para a ciência, tentando em vão resolver os problemas da vida com uma fuga (terceiro andamento). Soam agradáveis melodias de dança e ele torna-se um indivíduo. A sua alma voa enquanto o mundo, abaixo dele, se afunda.”

     

    Não é exactamente este texto, contudo, que se encontra na partitura publicada. O que aí aparece é um fragmento do texto original de Nietzsche, retirado logo do início do prólogo, em que Zaratustra se dirige ao Sol. Aí se inclui a seguinte passagem:

     

    “Ó grande astro! Que seria da tua felicidade se não tivesses aqueles que iluminas! Ao longo de dez anos vieste até à minha caverna: sem mim, sem a minha águia e sem a minha serpente sentir-te-ias triste e cansado da tua luz e deste caminho.”

     

    Encontramos também na partitura, depois da célebre introdução que directamente se associa a esse prólogo do livro (representando o tal “nascer do sol”), oito pequenos títulos sucessivos, assinalando a divisão da obra em oito secções (para além da introdução). Cada uma dessas secções associa-se a uma das subsecções do livro, não as apresentando nem de forma exaustiva (o livro tem 80, Strauss só usa 8) nem pela ordem original. Esses títulos são os seguintes (acrescentando-se entre parêntesis breves comentários):

     

    1. Dos mundos interiores (evocação da religião, com a sonoridade do órgão e a citação de uma melodia gregoriana, nas trompas);

    2. Da aspiração suprema;

    3. Das alegrias e paixões;

    4. O canto do túmulo (a presença da morte, com um ambiente mais abatido, sugerido por uma melodia nostálgica no registo grave do oboé e, depois, do corne inglês);

    5. Da ciência (é o momento em que se ouve vários instrumentos da secção das cordas entrando sucessivamente com a mesma melodia, sempre no registo grave da orquestra; trata-se de uma fuga, a mais académica – mais científica – das técnicas musicais);

    6. O convalescente;

    7. O canto da dança (dança vienense, evocando o reconciliar do Homem com a Natureza, e talvez já o Super-Homem, capaz de fruir plenamente a Vida);

    8. O canto do viajante da noite.

     

    Em jeito mais profético, Strauss deu originalmente ao poema sinfónico o subtítulo de “optimismo sinfónico em estilo fin-de-siècle, dedicado ao século XX”. Acabaria, mais tarde, por escolher um subtítulo bem mais curto (e prosaico): “composto livremente, a partir de Friedrich Nietzsche”. Já vimos acima, aliás, como Strauss recusou a ideia de ter querido “escrever música filosófica”, antes se centrando em “transmitir através da música uma ideia do desenvolvimento da raça humana”. Se o conseguiu ou não, e qual das versões do programa acima citadas é mais útil para a compreensão da obra, fica ao critério de cada ouvinte. Mas se nem todos ouvirão ecos de Nietzsche, talvez preferindo concentrar-se na beleza puramente orquestral da música, será sempre difícil ignorar a sua associação ao filme de Stanley Kubrick.

     


    Daniel Moreira, 2016 

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