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  • 1. Eurydice to Orpheus: A Picture by Leighton (Robert Browning)

    2. Visionen (Egon Schiele)

    3. Voyelles (Arthur Rimbaud)

    4. Keep your eyes open (John Berryman) 

     

    O estímulo inicial para a composição de Augenlieder foi o poema “Keep your eyes open”, de Berryman. A descoberta do soneto trouxe-me imediatamente à mente um curto e negligenciado texto de Browning – um poema escrito para acompanhar a pintura Orpheus and Eurydice de Frederic Leighton, quando esta foi exposta pela Royal Academy, em 1864. Aqui estavam, nos textos respectivos, pares de amantes ligados pela teatralidade de um olhar – um olhar evitado, ou um olhar consumado. Muito mais tarde, o acaso fez-me encontrar um outro casamento entre poemas, igualmente improvável. Enquanto o entusiasmo virtuoso da experiência sinestética de Rimbaud em Voyelles se opõe ao colorido de palavras mais calmo de Schiele, o ponto-chave de ambos os poemas está, mais uma vez, no acto de ver. A deliberada ambiguidade de “Ses Yeux” de Rimbaud serve de contrapeso ao cenário mais directo, embora em última análise não menos complexo, de Schiele: trata-se, sem dúvida, de uma experiência na primeira pessoa – a experiência, algo esperada, de um grande artista plástico tentando alcançar uma mesma simplicidade num meio diferente daquele no qual se celebrizou.

    Na minha peça de 15 minutos, sonoridades específicas sustentam os cruzamentos e as correspondências entre os textos. Na primeira e na última canção, por exemplo, a combinação de harpa e celesta actua como referência em vários pontos de junção; e a falta de uma ‘cor’ orquestral convencional na segunda canção (o acompanhamento é dado quase sempre apenas pelos violinos) é aliviada pela natureza caleidoscópica da escrita instrumental da terceira canção. De modo similar, os materiais harmónicos e melódicos de cada uma das quatro canções partilham certas características: por exemplo, um gesto de uma fracção de segundo numa canção, aparentemente inócuo, serve frequentemente de principal ponto de expansão para outra. A intenção é que cada canção funcione como um espelho distorcido através do qual se pode vislumbrar as restantes.

    Augenlieder foi escrita para Claire Booth e a Orquestra Sinfónica da BBC, e é dedicada a Sasha Siem.

     


    Ryan Wigglesworth

    Tradução: Fernando P. Lima 

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