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  • Antonín Dvořák foi um dos compositores nacionalistas mais importantes do seu tempo. A sua linguagem musical marcada pelos elementos estilísticos do Romantismo tardio, aliada à inspiração e à admiração pelos temas musicais da Morávia e da Boémia, diferenciam claramente a sua obra. Destacam-se da sua produção peças com maior visibilidade nas salas de concerto como a Sinfonia n.º 9 “Do Novo Mundo”, o Stabat Mater op. 58, o Concerto para violoncelo op. 104 e as Danças Eslavas op. 46.

    A Bruxa do Meio-Dia, op. 108, é o segundo poema sinfónico composto por Antonín Dvořák. A estreia teve lugar em Londres em 1896 sob a direcção do maestro Henry Wood. A inspiração veio da trágica lenda tradicional eslava Polednice, também conhecida como “Bruxa do Meio-Dia”, que deu origem ao poema de Karel Jaromír Erben incluído na colecção Kaytice z povestí národních, de 1853, pela qual Dvořák tinha especial admiração. A música ilustra a história trágica de um rapaz traquina e o desespero que o seu comportamento causa à mãe. Como ultimato, a mãe diz ao filho que, se não se comportar, invocará a bruxa do meio-dia para o levar. Apesar de ser uma ameaça em tom de brincadeira, a bruxa acaba mesmo por aparecer, para temor da mãe, que agarra o filho antes de desmaiar. Quando o pai chega a casa encontra a mulher no chão, desmaiada, com o filho morto nos braços que acidentalmente sufocara na tentativa de o salvar. No final o pai lamenta e chora o terrível desfecho.

    Musicalmente, Dvořák procura transpor para a música alguns dos elementos dramáticos da lenda, nomeadamente através da associação das personagens e dos cenários a certos instrumentos. Destacam-se, por exemplo, o oboé associado ao comportamento endiabrado da criança e o clarinete baixo à bruxa. Ao nível das texturas orquestrais, Dvořák combina diferentes recursos no momento em que a bruxa persegue a criança, num quadro dramático mais denso que culmina com a sua dança frenética e as doze badaladas que a fazem desaparecer. A obra termina de forma abrupta com a intensidade total da orquestra, colocando um final forte nesta lenda trágica.

     


    Pedro Russo Moreira, 2017 

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