Ballatta nº 5, Carnevale, para trompete e ensemble

Francesco Filidei ,

[2015; c.15min]

  • «Escrevi, até hoje, cinco baladas, principalmente para instrumento solo e ensemble. O carácter das quatro primeiras é frequentemente lírico e a sua estrutura é baseada na utilização da escala cromática. A quinta, para trompete e ensemble, é muito diferente na forma e na atmosfera.»

     

    Assim descreve Francesco Filidei a sua Ballata n.º 5, composta em 2015. Entretanto, aumentou já para seis a sua conta de ballate, com a Ballata n.º 6, para harmónica e ensemble. Como refere o próprio compositor, quase todas envolvem a oposição entre um solista e um ensemble: é o caso, para além das já mencionadas, das Baladas n.ºs 1, 3 e 5, em que os solistas são, respectivamente, o órgão, o piano e a viola da gamba.

    A expressão ballata traz múltiplas ressonâncias históricas: da forma italiana medieval de canção de dança; de uma forma de canção popular com um elemento narrativo, em voga na Europa desde a Idade Média; e da música instrumental com conteúdo narrativo, uma forma tipicamente romântica, inaugurada por Chopin (cujas quatro baladas para piano são célebres).

    Comum a muitas acepções da balada é, de facto, uma componente narrativa – o sentido de que a música, ainda que exclusivamente instrumental, conta uma história. Esse sentido narrativo é particularmente explícito na Balada n.º 5, que hoje ouvimos, subintitulada “Carnaval”. A esse propósito, devolvamos a palavra ao compositor:

     

    «Depois de uma introdução calma, a música transporta-nos subitamente para uma cena de Carnaval, que apresenta um motivo muito curto sobre o qual se constrói também toda a última parte da obra.»

     

    A forma como Filidei constrói essa cena de Carnaval é reveladora de vários aspectos característicos da sua música: um forte sentido rítmico e enérgico; a combinação de um mundo sonoro alargado, recorrendo a novas técnicas de execução instrumental (aspecto em que se vê a influência de um dos seus professores, Salvatore Sciarrino), com um interesse na harmonia e em sonoridades relativamente consonantes; e o recurso a uma panóplia de instrumentos pouco convencionais, incluindo brinquedos, utensílios festivos e até tubagens de plástico, com um efeito caricato que se adequa inteiramente à atmosfera carnavalesca aqui representada. 

     


    Daniel Moreira, 2017