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  • Foi com um misto de entusiasmo e receio que, em 2009, aceitei um convite para escrever uma peça para a OrchestrUtopica (um ensemble de 16 músicos) e que, de algum modo, fizesse uma aproximação à Sagração da Primavera, de Igor Stravinski. Before Spring, viria a ser estreada pela OU na sua versão original em Maio de 2010, no Centro Cultural de Belém, na abertura de um espectáculo em que a Orquestra Metropolitana de Lisboa interpretou a obra maior de Stravinski.

    A Sagração é, indiscutivelmente, uma obra-prima da música (independentemente do século) e, simultaneamente, uma das criações que mais marcaram o percurso de muitos compositores, entre os quais me incluo sem qualquer hesitação.

    É, também, uma obra irrepetível e inimitável e, como tal, considero que seria necessária uma dose considerável de ambição, imodéstia e, sobretudo, inconsciência, para se pretender compor “uma Sagração”.

    A opção do pastiche também não me interessou particularmente, não sendo esse um terreno onde eu procure colher frutos ou encontrar soluções.

    Escolhi, portanto, o caminho da homenagem, escrevendo uma peça de abertura – com ligações mais ou menos directas ao universo musical de Stravinsky – mas procurando manter a distância suficiente para a afirmação de uma linguagem pessoal.

    No entanto, fazendo uma analogia com os rituais de fertilidade evocados na Sagração, o material musical de Before Spring foi desenvolvido partindo de algumas sementes retiradas da partitura de Stravinski. Em particular, de um acorde dividido por seis violas; um fragmento de melodia partilhada por dois clarinetes; uma figuração mais ornamentada do clarinete piccolo, no desenvolvimento da melodia inicial do fagote; uma textura; um gesto.

    Existem ainda outras sementes que fui lançando para a minha partitura e que já não me recordo ou não sei bem onde terão caído. Não se tratando de citações, idealmente, esses materiais já não serão facilmente audíveis nem identificáveis. Por outras palavras, espero que em Before Spring se possam imaginar os frutos mas que as sementes permaneçam bem escondidas, debaixo da terra fértil.

    Posteriormente, a maestrina Joana Carneiro lançou-me o desafio de regressar a esta partitura, adaptando-a para uma nova versão sinfónica. Era um desejo mais ou menos secreto que eu vinha alimentando desde a estreia do original para orquestra de câmara e que veio a concretizar-se no início de 2014, graças ao generoso convite de Joana Carneiro e da OPART – Teatro Nacional de S. Carlos.

     


    Luís Tinoco 

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