Cinco peças para orquestra, op.16

Arnold Schoenberg, Leopoldstadt, 13 de Setembro de 1874 / Los Angeles, 13 de Julho de 1951

[1909, rev.1949; c.16min]

  • 1. Premonições: Molto allegro

    2. O Passado: Andante

    3. Cores, ou manhã de Verão num lago: Moderato

    4. Peripécia: Molto allegro

    5. Recitativo obrigado: Allegretto 

     

    Em 1908, Richard Strauss, então director da Ópera Real de Berlim, escreveu a Schoenberg sugerindo-lhe que compusesse um conjunto de pequenas peças para orquestra, com o intuito de eventualmente as dirigir. Schoenberg respondeu à solicitação um ano depois, entre Maio e Agosto de 1909, compondo cinco peças para grande orquestra na sua nova linguagem atonal e dissonante (que inaugurara poucos meses antes com as duas primeiras peças para piano, op. 11). Quando enviou as partituras a Strauss, este respondeu-lhe rapidamente, mas a resposta não foi muito encorajadora. Strauss disse-lhe que a execução de “experiências tão ousadas” não seria possível em Berlim, e acrescentou que seria muito difícil a Schoenberg encontrar um maestro que aceitasse dirigir a obra. Aconselhou-o mesmo a contratar uma orquestra para ler a peça em ensaio, de modo a que pudesse ver melhor os problemas que a peça tinha.

    Ao contrário do op. 9, não há neste caso nenhuma lógica sinfónica a ligar as várias peças. Elas são autónomas, independentes umas das outras, cada uma com um carácter e sonoridade própria. A primeira é rápida, imponente e assustadora, com gigantescos tuttis e desenhos obsessivamente repetidos; a segunda é dulcíssima, com um tema principal recorrente (uma espécie de refrão) e timbres verdadeiramente mágicos; a terceira (talvez, de todas, a mais célebre) é um delicado (e incrivelmente moderno) estudo de sonoridade, em que as notas e os instrumentos vão mudando lentamente, de forma quase imperceptível; a quarta tem uma sonoridade ácida e um discurso extremamente fragmentado, com contrastes permanentes e abruptos; a quinta é um gesto único, contínuo, em carácter de valsa.

    Apesar da reacção negativa de Strauss, a importância do op. 16 foi reconhecida por figuras importantes da cena musical germânica. Foi o caso de Henri Hinrichsen, director das Edições Peters, que logo em 1912 quis publicar a obra (em partitura). Hinrichsen pediu a Schoenberg, contudo, que acrescentasse títulos descritivos a cada um dos andamentos, pois “composições com o título ‘Peças’ não vendem”. A contragosto, Schoenberg lá acedeu em dar alguns títulos: 1. Premonições; 2. O Passado; 3. Cores; 4. Peripécia; 5. Recitativo obligato. Nos anos seguintes, foi fazendo pequenos ajustes aos títulos, hesitando sobretudo quanto ao da terceira peça, que foi variando entre O acorde em mutação, Cores, O acorde em mutação (Manhã no Traunsee), Cores (Manhã de Verão num lago) e simplesmente Manhã de Verão num lago

     


    Daniel Moreira, 2017