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  • “Embora Tan Dun pertença à geração mais jovem de compositores, a sua individualidade e a profundidade da sua substância musical vão já para além da sua geração. Acredito que ele é um dos compositores mais notáveis da actualidade. (…) Com um sentido da vanguarda, a sua música revela-nos a voz da alma humana”. (Takemitsu, 1996)

    Assim falava Toru Takemitsu – o consagrado compositor japonês – sobre Tan Dun – o então emergente compositor chinês. Este testemunho capta dois traços fundamentais da música de Tan Dun: um lado vanguardista (a abertura a ideias experimentais, na linha de John Cage); e a intensidade expressiva (um lado mais directo e comunicativo, na linha de Mahler e Chostakovitch).

    Outro aspecto importante da sua obra é o cruzamento entre esses elementos – fundamentalmente ocidentais – e elementos orientais. Estes últimos devem muito às suas origens, numa região da China com forte identidade linguística e folclórica, e muito marcada por práticas de magia e culto da natureza. Não será de surpreender, assim, que nutra um especial interesse pelo lado ritual e mágico da música.

    A obra que hoje ouvimos espelha bem estes aspectos, em especial a dimensão ritual. Ela é, aliás, especificamente requerida na partitura, onde se pede que o maestro dirija “com um sentido de ritual, como um sumo-sacerdote”. Associa-se, também, a aspectos comunitários bem presentes nesta obra: a partilha de uma mesma melodia por todos os músicos, em diferentes momentos (uns tocando-a, outros cantando-a); e a intervenção do próprio público. Este último, de facto, é chamado a intervir em três momentos, emitindo – de acordo com as especificações do compositor – vários tipos de som com a voz. Para possibilitar esta tão rara experiência – em que participam na performance todas as pessoas na sala, e não apenas os músicos em palco – o maestro deve fazer um ensaio prévio com o público. Mais ainda, as especificações do compositor devem ser reproduzidas na própria nota de programa.

    O sentido de envolvimento comunitário que esta obra proporciona é intensificado, ainda, pela disposição dos músicos na sala. Em vez de estarem todos em palco, radicalmente separados do público (como habitualmente acontece), distribuem-se à volta da sala, em quatro trios. Consequentemente, ao longo da obra, o som viaja literalmente no espaço: por vezes ouvem-se todos os músicos; outras vezes, sons isolados, surgindo imprevisivelmente de um ou outro ponto da sala; outras vezes ainda, ouve-se apenas um dos trios.

    Fundamentalmente, a peça põe em jogo dois tipos de elementos musicais: sons isolados e pequenos fragmentos, num ambiente globalmente dissonante e complexo (vanguardista); e a já referida melodia, simples e consonante (e com sabor popular), que é partilhada por todos os músicos.

     


    Daniel Moreira, 2014

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