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  • O primeiro concerto para oboé e ensemble de Maderna começou por ser uma composição para meios mais vastos: além do oboé e do ensemble instrumental, a versão original, estreada em Darmstadt, em 1962, incluía também fita magnética – ou seja, música electrónica. Maderna fora, na verdade, um dos pioneiros nesse domínio, ao compor, logo em 1952, uma peça para flauta e fita magnética intitulada Musica su due dimensioni, que é uma das primeiras na história da música a combinar sons instrumentais e electrónicos.

    Considera-se hoje perdido o manuscrito dessa versão original – de 1962. Entretanto, Maderna compôs, logo no ano seguinte, a versão apresentada neste concerto, estreando-a em Abril, na Bienal de Veneza. Apesar de ter retirado a fita magnética da nova versão, as sonoridades da música electrónica parecem ser ainda evocadas em vários momentos, sobretudo através dos instrumentos de percussão. Na verdade, a execução da obra requer um enorme arsenal de percussão – mais de 30 instrumentos, dos mais tradicionais, como o xilofone e os tímpanos, aos mais exóticos, de proveniência japonesa, chinesa e brasileira – e da combinação deles, sobretudo nas passagens mais densas, resulta muitas vezes um efeito próximo ao da música electrónica.

    Mas este concerto não é apenas um estudo de novas sonoridades. Há nele, também, um profundo lirismo, uma grande expressividade melódica, que se encontra, acima de tudo, no instrumento solista: mesmo quando as suas frases são curtas e a textura que o acompanha é fragmentada, o lirismo está sempre presente. A nível formal, o concerto segue um princípio bastante tradicional: a alternância entre momentos solistas (tanto no oboé “normal” como em dois parentes próximos, igualmente utilizados: o oboé de amor e o corne inglês) e intervenções do ensemble, estas últimas extremamente variadas, e muitas delas contendo, como é típico da música dos anos 60, passagens aleatórias (ou seja, de execução parcialmente livre ou improvisada).


    Daniel Moreira, 2016 

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