Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • 1. Maestoso

    2. Adagio sostenuto

    3. Allegro scherzando 

     

     

    Em 1899, Rachmaninoff estreou-se em Londres, na sua primeira aparição significativa como pianista e compositor fora da Rússia. A Philarmonic Society convidara-o na esperança de que tocasse o seu 2º Concerto para piano, mas a verdade é que Rachmaninoff não tinha sequer começado a compor a obra. O compositor encontrava-se então num período de profunda crise pessoal, na sequência do enorme fracasso a que fora votada, na estreia, em Março de 1897, a sua Primeira Sinfonia. Desde então, não tinha conseguido compor praticamente nada. De grande ajuda acabaria por ser o médico Nikolay Dahl, especialista em técnicas de hipnose. Segundo alguns, foram essas técnicas que lhe curaram a depressão; outros sustentam que Dahl se limitou a conversar com o compositor e ajudá-lo a reconquistar a confiança nas suas capacidades. Seja como for, o 2º Concerto para piano – dedicado, justamente, a Nikolay Dahl – foi a primeira obra substancial a seguir-se àquele período de crise. Acabaria por tornar-se a obra mais popular do autor.

    O concerto tem a estrutura tradicional de três andamentos, seguindo o esquema rápido-lento-rápido (com a particularidade de Rachmaninoff ter composto inicialmente o segundo e o terceiro andamentos, e só depois o primeiro). Após uma introdução com acordes cheios no piano, evocando o som de sinos, o primeiro andamento opõe dois temas: um primeiro, escuro e apaixonado, nas cordas; e um segundo, lírico e nostálgico, no piano. O segundo andamento elabora continuamente um único tema, extremamente evocativo, de carácter doce e terno. Já o terceiro tem um carácter mais vivo, contrapondo passagens extremamente virtuosísticas para o piano com uma melodia muito expressiva, ouvida inicialmente no oboé e nas violas.

    A obra tem apelado a várias gerações de realizadores, desde Billy Wilder em O Pecado Mora ao Lado (1957) a Manoel de Oliveira em Inquietude (1998). No caso de Breve Encontro de David Lean, praticamente não é utilizada outra música para além do concerto de Rachmaninoff, incluindo passagens de cada um dos três andamentos. Por vezes, é usado de forma diegética (ou seja, fazendo parte da acção), como quando Laura, a protagonista, ouve a obra num disco de vinil, na sua sala de estar, juntamente com o marido. Mas a música de Rachmaninoff é sobretudo associada à interioridade de Laura, aparecendo em momentos em que ela se perde nos seus pensamentos. Serve também de ponte para o passado, assinalando a passagem para o registo de flashback, em que vemos a desafortunada história de amor entre Laura e Alec – uma paixão proibida entre duas pessoas casadas.

     


    Daniel Moreira, 2016 

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE