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  • 1. Allegro maestoso (Intrada)

    2. Vivace (Capriccio notturno e Arioso)

    3. Andante con moto – Allegro giusto (Passacaglia, Toccata e Corale)

    A instabilidade e incerteza vividas durante os anos 50 na Polónica tiveram consequências importantes no meio cultural. Por um lado, personalidades importantes mudaram-se para a Europa Ocidental, deixando espaço para a afirmação de novos valores. Por outro, a suavização temporária da repressão permitiu o desenvolvimento de novas estéticas. Assim, uma arte glorificadora do povo, com os seus heróis proletários e fortemente enraizada nos nacionalismos do século XIX, será misturada com as correntes vanguardistas emergentes, sendo o caso de Lutosławski emblemático desse processo. Aluno destacado do Conservatório de Varsóvia, a Segunda Guerra Mundial interrompeu o seu sonho de estudar em Paris com Nadia Boulanger, uma importante pedagoga associada à promoção dos paradigmas tonais do período entre-guerras. Após a derrota alemã, Lutosławski ocupou importantes cargos nas novas instituições polacas, da rádio às editoras de partituras. Contudo, o seu estilo particular valeu-lhe algumas perseguições a partir do final da década de 40. Apesar de recorrer a alguns temas da música tradicional polaca, Lutosławski tratava-os de forma distinta dos modelos do realismo socialista que emanavam de Moscovo. Assim, a herança centro-europeia do modernismo bartokiano encontrou um seguidor, o que se encontra patente no Concerto para orquestra, uma obra do final desse período criativo.

     

    O Concerto para orquestra foi composto entre 1950 e 1954 e evoca claramente a obra homónima de Béla Bartók. Estreado a 26 de Novembro de 1954, foi central para estabelecer a reputação de Lutosławski no panorama musical polaco. A obra encontra-se dividida em três andamentos e começa com uma intervenção confiante dos tímpanos, que introduz um tema sinuoso e assimétrico de características modais. À medida que o andamento progride, a textura vai-se adensando através da sobreposição de ostinati. Essa intensificação atinge o pico na secção central, que prepara o retorno à atmosfera da primeira parte. Esse regresso é marcado por um maior recurso ao contraponto, centrando-se em jogos imitativos até a textura se desintegrar.

    O segundo andamento tem um carácter lúdico e agitado, baseado em estruturas na forma de pergunta e resposta. Mantém-se o recurso aos ostinati na secção intermédia, conduzida pelos metais até ao clímax do andamento. A partir daí, a textura torna-se mais esparsa até desaparecer, recorrendo às cordas em pizzicato.

    O concerto termina com uma reminiscência do período Barroco. Uma passacaglia sobre uma canção tradicional polaca apresenta uma série de variações baseadas na sobreposição de camadas de forma a adensar a textura musical. Essa passacaglia cede lugar a uma toccata, em textura de fanfarra e de grande intensidade dramática. Após alguma acalmia, emerge um coral nos sopros, que é interpolado pelos apontamentos das cordas, cedendo lugar a uma secção em que o ritmo é acelerado até ao estrondoso final.  

     


    João Silva, 2017 

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