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  • 1. Maestoso

    2. Adagio

    3. Rondo: Allegro non troppo

     

    De entre todos os compositores românticos, aquele que primeiro deu ao género do concerto solista o carácter das grandes obras sinfónicas foi Brahms.

    Em 1853, Schumann teceu os maiores elogios ao jovem compositor e augurou‑lhe o mais promissor futuro como sinfonista. No ano seguinte, Schumann dava sinais preocupantes da demência que o acompanhou até à morte. Brahms, como num ímpeto de homenagear o mentor, iniciou a escrita de uma sinfonia em Ré menor. Este projecto, que cresceu inspirado no modelo da Nona Sinfonia de Beethoven, foi inicialmente escrito para dois pianos por uma questão prática e por Brahms ser um excelente pianista. Quando a tentativa foi abandonada, e lembremos o leitor que haveriam de passar cerca de vinte anos até que Brahms escrevesse a sua primeira sinfonia, ficaram os esboços que originaram o seu Primeiro Concerto para Piano, também ele em Ré menor. Na realidade, a escrita do primeiro piano nesse esboço da sinfonia era extremamente pianística e foram vários os amigos de Brahms, entre os quais os maestros Joseph Joachim e Otto Grimm, que o aconselharam a transformá‑lo num concerto.

    Sendo verdade que muito se romanceou em torno das origens desta obra e do triângulo amoroso entre Brahms, Schumann, e a sua mulher Clara, o testemunho de Joachim atribui a originária sinfonia, e o primeiro andamento do concerto resultante, à trágica tentativa de suicídio de Schumann que procurou afogar‑se no rio Reno. O ambiente do primeiro andamento, Maestoso, é pesado e sombrio na sua introdução em forte e, ao mesmo tempo, contrastante com o lirismo de um segundo tema. Um motivo em semicolcheias e um outro de tom exclamativo, representado em intervalos de quarta e quinta, irão aparecer também ao longo do andamento.

    A escrita da parte de piano terá representado uma surpresa a todos quantos ouviram o concerto pela primeira vez. Não por introduzir um novo tema, pois essa era a forma tradicional do concerto clássico, mas pelo próprio pianismo inerente à escrita de Brahms, altamente pessoal. Longe de surpreender pelo virtuosismo, o piano insere‑se na escrita orquestral assumindo o carácter de uma sinfonia para piano e orquestra mas, na sua falta de fogo‑de‑vista, é de uma extrema dificuldade de execução.

    O segundo andamento, no qual o compositor escreveu “Benedictus qui venit in nomine Domine”, é de uma profunda religiosidade e já revela traços da escrita madura de Brahms na sonoridade criada pelas cordas em surdina, pelo solo de trompa e todo o ambiente solene do piano. A citação corrobora a dedicatória do concerto a Schumann, a quem Brahms chamava “Meu Senhor”.

    Um ritmo de dança exposto no piano, à boa maneira dos últimos andamentos dos concertos solistas, abre o Rondó final onde Brahms explora uma das técnicas que lhe são mais queridas, a variação. Contendo alguns elementos escolásticos, nomeadamente o recurso a uma pequena passagem em fuga, este andamento encerra o concerto.

    Na sua orquestração, Brahms recorreu à ajuda de Joachim como forma de colmatar a sua inexperiência. Foi sob a direcção deste maestro e com o compositor ao piano que a obra estreou a 22 de Janeiro de 1859, havia Schumann falecido três anos antes. Sendo recebido com sucesso nessa ocasião, este não se repetiu nas vezes seguintes e a obra demorou a conquistar um lugar no repertório dos pianistas. Por isso viria a ser responsável Clara Schumann, aquela que foi uma das maiores pianistas de sempre.

     


    Rui Pereira, 2005

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