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  • 1. Allegro ma non tanto

    2. Intermezzo: Adagio

    3. Finale: Alla breve

     

    Sergei Rachmaninoff foi, para além de um grande compositor, um grande pianista. Na verdade, quando fez a primeira viagem aos Estados Unidos em 1909, país onde se viria a exilar após a revolução russa de 1917, foi considerado o melhor pianista do mundo. As pessoas queriam ouvir a música de Rachmaninoff tocada pelo próprio compositor e os seus concertos eram sucessos de bilheteira garantidos. Foi para essa sua primeira digressão no Novo Mundo que Rachmaninoff compôs o Concerto n.º 3 para piano e orquestra, hoje em dia mundialmente conhecido como Rach 3. O concerto foi considerado ao longo de várias décadas o mais difícil de tocar de todo o repertório concertante para piano e comparado ao K2, o segundo pico mais alto dos Himalaias e do mundo, e aquele com uma maior taxa de fatalidade entre os alpinistas que o tentam escalar. Foi estreado a 28 de Novembro de 1909, pela Sinfónica de Nova Iorque. Memorável, no entanto, terá sido a interpretação que decorreu 19 dias depois, igualmente em Nova Iorque e com o compositor ao piano, mas desta feita com a Filarmónica de Nova Iorque sob a direcção de Gustav Mahler.

    Dividido nos tradicionais três andamentos da maior parte dos concertos, o Concerto n.º 3 tem um carácter rapsódico no desenvolvimento dos temas e retoma motivos anteriormente utilizados num princípio cíclico muito usado por Rachmaninoff e apreciado pelo público. O primeiro tema é uma bela e simples melodia diatónica em volta da tónica (Ré menor), apresentada pelo piano, que muito cedo ganha figurações de grande virtuosismo. Para preparar o segundo tema, Rachmaninoff reserva intensos diálogos entre o piano e a orquestra antes de mergulhar num tempo mais lento e numa tonalidade bem mais luminosa. Todo o primeiro andamento é marcado por vários clímaxes nos quais o piano tem sempre de ultrapassar novos desafios, nomeadamente na cadência. O segundo andamento tem por base uma melodia sujeita a um esquema de variações. O tema principal do primeiro andamento vai reaparecer dando início ao princípio cíclico que confere unidade formal ao concerto. Esta técnica de composição é desenvolvida com maior intensidade no último andamento, que recupera diversos motivos do início da peça. Pela sua dificuldade técnica, este andamento é desde os primeiros compassos um verdadeiro cavalo de batalha para qualquer virtuoso.

    O 3º Concerto para piano de Rachmaninoff foi gravado por alguns dos maiores pianistas de sempre, facto que muito contribuiu para a sua popularidade. O primeiro foi Horowitz, que deixou mais do que uma gravação, mas a lista inclui nomes tão lendários como Van Cliburn, Martha Argerich, Krystian Zimerman ou Vladimir Ashkenazy, entre os mais aclamados. Em anos recentes, o Concerto foi uma peça central no filme Shine, facto que reforçou a sua popularidade. Juntamente com o 2º Concerto de Rachmaninoff, o Rach 3 continua no topo da tabela das obras preferidas para piano e é um dos mais tocados nas finais dos grandes concursos internacionais de piano.

     


    Rui Pereira, 2016 

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