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  • 1. Allegro vivace

    2. Largo

    3. Allegro vivace 

    Os concertos para piano e orquestra de Sergei Rachmaninoff constituíram um veículo privilegiado para a demonstração não apenas do seu talento como compositor, mas também do seu extraordinário virtuosismo enquanto intérprete. Gozou de particular popularidade nas décadas de 1920 e 1930, e parte do seu apelo junto do público derivava da sua combinação particular de virtuose do piano com a faceta de compositor contemporâneo que prolongava ao séc. XX a grande tradição romântica de finais do séc. XIX, nomeadamente no que diz respeito ao repertório pianístico. Este facto granjeou-lhe bastantes críticas, particularmente a partir da década de 1940. Não obstante ter composto em géneros variados, incluindo ópera, música coral, orquestral e vocal, a sua associação ao piano prevaleceu para a posteridade em detrimento da restante produção.

    A composição dos concertos para piano e orquestra, embora estes sejam em pequena quantidade (compôs quatro concertos e, para a mesma formação, a Rapsódia sobre um Tema de Paganini), ocupou uma parte significativa da carreira de Rachmaninoff. Revia com frequência as suas obras, prolongando o processo de composição no tempo de forma invulgar. Assim, se considerarmos as datas de composição do seu 1º Concerto para piano (1890-1891) e a data de revisão do 4º Concerto (1941), é evidente que Rachmaninoff dedicou uma atenção particular, mesmo que por períodos delimitados, ao género.

    Na sequência do sucesso dos Concertos n.os 2 e 3, o compositor já teria planos para a composição de um 4º Concerto em 1914, mas a instabilidade na Europa durante a I Grande Guerra, os seus compromissos enquanto pianista, assim como a decisão de deixar definitivamente a Rússia em 1917 terão adiado essa tarefa. Apenas entre 1925 e 1926, um período menos ocupado com concertos, conseguiu concentrar-se na composição desta obra. Insatisfeito com o resultado final, que considerou demasiado longo, efectuou várias alterações e cortes antes da estreia em Filadélfia, nos EUA, em Março de 1927. A recepção da crítica não foi favorável, o que levou o compositor a efectuar alterações adicionais antes de publicar a obra. Acabou, no entanto, por a retirar do seu repertório, aguardando nova oportunidade de revisão, que ocorreu apenas em 1941.

    Contrariamente aos dois concertos precedentes, o 4º Concerto apresenta o piano de forma mais integrada em relação à orquestra, não incluindo solos destacados nem cadências para o instrumento. Este Concerto integra materiais pré-existentes, já que o tema do Allegro vivace inicial foi adaptado de um estudo para piano do próprio Rachmaninoff; a versão original integrava também o canto medieval do Dies irae em várias secções. No Allegro vivace encontramos alguns dos traços característicos da escrita de Rachmaninoff para piano, nomeadamente a alternância entre secções de acordes poderosos e a delicadeza das passagens rápidas e virtuosísticas em escalas e arpejos, sempre em diálogo com instrumentos da orquestra. No Largo, esse diálogo entre o piano e a orquestra torna-se ainda mais patente, reforçando o cariz expressivo das melodias. O Allegro vivace final marca o regresso ao tipo de escrita virtuosística do primeiro andamento, mas aqui marcado pela leveza e algum humor. 

     


    Helena Marinho, 2016 

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