Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • 1. Andante – Allegretto

    2. Allegro – Adagio

    Berg foi aluno de Schoenberg e colega de Webern, tendo conciliado eficazmente uma abordagem modernista com a herança tardo-romântica. O Concerto para violino foi umas das últimas obras escritas por Alban Berg. Composto entre a Primavera e o Verão de 1935, o concerto resultou de uma encomenda do então jovem violinista americano Louis Krasner. Nessa época, a ascensão do nazismo limitou a carreira de muitos músicos de ascendência judaica, entre os quais Alban Berg. Vivendo um período de dificuldades financeiras, o compositor viu-se forçado a aceitar a encomenda. Pouco tempo após a aceitação, Berg recebeu a notícia da morte de Manon Gropius, filha do arquitecto Walter Gropius e de Alma Mahler. Manon faleceu aos 18 anos, vítima de poliomielite. O Concerto para violino transformou-se então num tributo à memória da adolescente. Assim, Berg cria um concerto programático de grande intensidade expressiva, associando-a ao virtuosismo solístico.

    A obra foi estreada em Barcelona, a 19 de Abril de 1936, pela Orquestra Pau Casals sob a direcção de Hermann Scherchen e contando com Krasner como solista. O concerto foi escrito de acordo com uma técnica desenvolvida pela Segunda Escola de Viena no início da década de 1920, o dodecafonismo serial. Essa técnica implica a escolha de uma sucessão das doze notas da escala numa forma organizada – a série. Essa sequência sonora pode ser transposta, invertida, retrogradada e simultaneamente invertida e retrogradada. Assim, são possíveis 48 formas da série. Contudo, os compositores não as utilizam todas, e privilegiam algumas configurações de acordo com as suas intenções expressivas. A predominância do sistema serial no trabalho dos compositores da Segunda Escola de Viena reflectiu a busca por um método que permitisse a criação de macro-formas com um grande número de referências internas. Dessa forma, as novas obras contrastavam com a abordagem aforística cultivada pelos mesmos na década de 10.

    Neste concerto, Berg selecciona uma série que permite um tratamento mais diatónico ou mais cromático, remetendo inclusivamente para algumas funções tonais. Paralelamente, recorre a permutações da série que permitem combinações entre as mesmas. O concerto encontra-se dividido em dois andamentos, que se subdividem em duas secções. A primeira secção do primeiro andamento apresenta uma forma ABA, uma espécie de forma-sonata concentrada. Nessa secção, com características de prelúdio, o violino apresenta a série e a orquestra intervém na narrativa. A textura é esparsa e com solos de vários instrumentos, estando a orquestra muitas vezes dividida em vários conjuntos de câmara. O Andante baseia-se num ostinato orquestral e nas intervenções do solista em rubato, em que pontifica o virtuosismo. Após uma curta transição, é introduzida uma textura de dança tradicional austríaca, ilustrando a graça juvenil de Manon. O andamento termina após uma sucessão de episódios contrastantes e virtuosísticos.

    O solista ocupa um papel destacado no início do segundo andamento, uma espécie de cadência virtuosística em forma de lamento que retoma alguns elementos do andamento anterior. A intensidade vai crescendo até atingir o clímax da obra, altamente reforçado pela orquestração. A meditação contemplativa caracteriza a segunda parte do andamento, um trabalho expressivo que evoca a libertação e a ausência. Assim, Berg recorreu a uma textura de coral serial e variações, a que se sucede uma melodia tradicional da Caríntia. A Caríntia é a região austríaca onde o compositor tinha uma casa e onde compôs a obra (outros compositores, como Mahler e Brahms, também escreveram obras importantes nesse contexto campestre). Na conclusão do concerto, Berg inclui uma citação do coral Es ist genug. A melodia desse coral foi composta por Johann Rudolf Ahle e publicada em 1662. Posteriormente, Bach harmonizou-a, e Berg citou essa harmonização. O seu texto é uma reflexão que associa a morte à libertação do sofrimento terreno. Assim, Manon Gropius libertou-se das agruras de um mundo que estava em profunda transformação. No seu epitáfio Berg funde estilos, períodos e géneros com mestria, numa das obras mais expressivas do Modernismo.


    João Silva, 2016 

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE