Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • A fascinante história deste Concerto para violino e orquestra começa em 2009, quando Sir Harrison Birtwistle recebe uma encomenda da Orquestra Sinfónica de Boston. O convite não propunha nem estipulava a natureza da composição, mas segundo o compositor o conceito inicial terá sido uma obra para orquestra. Contudo, este acabaria por decidir compor algo que o lançaria completamente fora da sua zona de conforto: um concerto para violino. Na realidade, Sir Harrison nunca havia composto um concerto para um instrumento de cordas e uma composição para violino solo e orquestra seria, possivelmente, a opção menos provável, como expressa o próprio compositor. Porém, a ideia de compor um concerto para violino, com todas as dificuldades técnicas a este associadas, era um desafio, quase uma espécie de neurose, que o levou a escrever o que para ele seria a mais difícil e desafiante composição até ao momento. A obra foi escrita essencialmente durante 2010 e pode ser considerada uma verdadeira maratona de virtuosismo, do início ao fim, onde o solista é indubitavelmente o incansável protagonista. A maior preocupação na sua criação foi, nas palavras de Birtwistle, o balanço entre o solista e a orquestra e a capacidade de escutar e apreender todas as notas do violino solo.

    Estreado em Boston a 3 de Março de 2011, pelo violinista Christian Tetzlaff com a Orquestra Sinfónica de Boston, e posteriormente nos concertos Promenade de Londres com a Orquestra Sinfónica da BBC, o Concerto para violino recebeu críticas calorosas. Descrito por alguns críticos como uma obra verdadeiramente original, evoca a tradição formal ao mesmo tempo que subtilmente se afasta e se retira da mesma, “um paradigma que Sir Harrison explora de forma brilhante, como atesta o crítico do The Sunday Times após a estreia nos concertos Promenade de Londres. Este concerto, como explica o compositor, é uma espécie de diálogo entre o solista e a orquestra que aqui assume o papel de coro. O violino solo é acompanhado em dueto com diferentes instrumentos deste coro, primeiramente com a flauta à qual se segue o piccolo, o violoncelo, o oboé e finalmente o fagote numa tentativa de distinguir e realçar este diálogo constante. Nesta analogia, o coro possui diferentes partes, com ideias e opiniões individuais próprias, mas todos se regem pelo mesmo espírito e interagem, mesmo quando as vozes não cantam em uníssono. Por vezes as linhas melódicas agem de forma independente e outras vezes paralelamente às do violino solo. Estas opiniões de diferente natureza e índole, que emergem ocasionalmente no seio deste coro, parecem pontualmente inquisitivas e até mesmo contraditórias, mas nunca em oposição. As abruptas mudanças de tempo e dinâmica são fruto do processo criativo e do amadurecimento da ideia original. O final do concerto acentua uma vez mais esta constante batalha com a tradição formal. Uma coda mas com material novo, como que numa tentativa de conduzir o ouvinte a uma nova viagem, uma nova composição, de forma a fugir ao cliché da coda – como explica Sir Harrison Birtwistle.

     


    Rui Pedro de Oliveira Alves, 2017 

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE