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  • O compositor escocês James Dillon é bem conhecido do público portuense frequentador da música contemporânea. A sua obra mais importante apresentada no Porto terá sido a ópera Philomela, a qual subiu ao palco do Teatro Rivoli em 2004 numa interpretação a cargo do Remix Ensemble, mas outras peças suas têm sido incluídas na programação da Casa da Música.

    Dillon é um dos mais ilustres representantes de um movimento conhecido como Nova Complexidade, uma corrente de vanguarda surgida após a Segunda Grande Guerra. No limiar dos anos 50 do século passado, o excesso de racionalismo e objectividade nas correntes dominantes da composição musical na Europa originou várias reacções: os artistas perguntaram-se qual o caminho a seguir. E, como sempre, dois tipos de resposta surgiram como as mais óbvias: uma seria estabelecer uma ruptura e, como tal, afirmar algo de completamente diferente e oposto, postura que originou correntes de grande simplicidade, como o minimalismo, ou de contestação, como os chamados happenings. A outra consistiu em prosseguir o caminho levando-o mais longe e descobrindo-lhe novos rumos. Os que seguiram esta opção viriam a dar origem a novas correntes de composição, todas elas marcadas por um grau de complexidade transcendental. James Dillon pertence claramente a este grupo. Uma parte considerável da complexidade da sua música, quer para quem a executa, quer mesmo para quem a ouve, resulta da multiplicidade de linhas sobrepostas simultaneamente. Essa textura muito densa é extremamente rica nas sonoridades que produz, criando uma filigrana simultaneamente delicada, na individualidade de cada linha, e de grande impacto.

     

    Resultado de uma encomenda da BBC 3 para os Concertos Promenade do ano 2000, o Concerto para violino de James Dillon foi estreado pelo grande virtuoso Thomas Zehetmair. O violino está muito presente desde o início, começando com uma espécie de lenga-lenga jocosa sobre um zumbido produzido pelos sopros (madeiras) da orquestra e pontuado por uma exótica percussão. A orquestra vai reagir violentamente a esta provocação do solista, o qual irá vencer a contenda concertante através do intenso lirismo que alcança numa partitura extremamente complexa e onde estão sempre muitos fenómenos sonoros a acontecer. As cordas são rapidamente divididas em 24 linhas independentes, testando ao limite a capacidade perceptiva e produzindo uma massa sonora muito rica do ponto de vista tímbrico. A orquestração é igualmente muito diversa, proporcionando muitos contrastes ao longo do concerto. Sendo uma peça de dificuldade transcendente para o solista, este concerto requer do ouvinte uma audição activa, atenta aos detalhes da transformação sonora, permitindo descobrir sonoridades completamente originais. A influência do folclore, sobretudo nos ritmos dançantes e em algumas sonoridades que nos remetem para bordões, paira ao longo de toda a partitura, mas não podemos deixar de pensar que este seria um folclore de um outro tempo e lugar, algo inédito e que nunca ouvimos antes. Sendo uma peça estruturada num só andamento, a sua concepção dramática assenta na tradição concertante tripartida, contendo também uma grande cadência a solo para o violino.

      


    Rui Pereira, 2017 

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