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  • 1. Allegro ma non troppo

    2. Larghetto

    3. Rondo: Allegro

     

    Beethoven é conhecido como um dos maiores compositores e pianistas de sempre mas, na realidade, a sua primeira fonte de rendimento foi um cargo de violetista numa orquestra quando era adolescente. Não admira, pois, que dominasse a escrita para cordas. Apesar de ter apenas um Concerto para violino e orquestra, sempre contemplou este instrumento de forma bem-sucedida. Desde o seu opus 1, trios para piano, violino e violoncelo, até aos quartetos de cordas (particularmente os Razumovsky) e às 9 sonatas para piano e violino, passando por dois romances para violino e orquestra anteriores a este Concerto opus 61, Beethoven explorou as qualidades expressivas do violino de forma original e desafiando os cânones estilísticos do seu tempo.

    Sinal desse experimentalismo inovador são os resquícios de quatro versões possíveis em certas passagens do violino solo no manuscrito original da partitura do Concerto. Dividido nos três andamentos contrastantes (rápido – lento – rápido) que normalmente marcam as obras concertantes, esta obra destaca-se pela riqueza do seu material temático e pelas dimensões generosas que ultrapassam largamente os quarenta minutos de duração.

    O primeiro andamento tem uma estrutura muito original. A orquestra tem uma ampla introdução repleta de pequenos motivos nos quais a instrumentação joga um papel predominante. Por exemplo, a figura inicial nos tímpanos (que dá logo um colorido orquestral à música em contraste com a entrada camerística das madeiras) é seguidamente retomada pelo acompanhamento das cordas e vai ser utilizada como acompanhamento ao longo de todo o Allegro. Apesar de alguns autores a considerarem uma falsa exposição e acharem que os temas apenas são apresentados pelo violino solista, nesta introdução já são apresentados os três temas que, depois, o violino irá desenvolver. O que acontece é que tudo se desenrola com a originalidade típica de Beethoven e, assim, de uma forma imprevista. O primeiro tema é logo apresentado pelo oboé, acompanhado pelo clarinete e o fagote sobre o rufar dos tímpanos. É esse o tema que o violino vai desenvolver replicando exactamente com as mesmas notas após a sua breve cadência inicial (a qual não passa de variações às figurações rítmicas que foram aparecendo na orquestra). O segundo tema (exposto nos violinos e acompanhado em tercinas pelas violas e violoncelos) é o mais importante e que será repetido mais vezes pela orquestra, mas só será retomado pelo violino na sua forma completa já perto do final, após a cadência. O terceiro, esse, apenas é retratado pelo solista num contraponto à orquestra. Para além destes temas da orquestra, o violino tem algum material motívico exclusivamente seu, o que vem acrescentar uma grande variedade a este longo andamento que dura quase meia hora.

    O segundo andamento desenvolve-se como umas variações. Após uma introdução do naipe das cordas, marcada por um ritmo pontuado, as trompas parecem fazer um chamamento para a entrada do violino solista. Nas duas primeiras variações o violino faz belas figuras ornamentadas à melodia, tendo o clarinete um papel igualmente predominante e, depois, o fagote. O tutti orquestral, em forte, faz um interregno ao solista. Este reaparece com vários arabescos de carácter improvisado que vão conduzir a uma passagem muito lírica e lenta do violino. É dos momentos mais belos da obra e o seu desenvolvimento leva a uma passagem acompanhada por pizzicatos de extrema originalidade que constitui a quarta variação. O violino solista detém todo o protagonismo até à sua breve cadência, que faz a transição para o Rondo final.

    O refrão do finale tem um ritmo de dança muito característico dos rondós de Beethoven. É apresentado pelo violino em registos diferentes do violino (grave e agudo) e com um acompanhamento muito leve. Só depois a orquestra recorre ao tutti para repetir o refrão. O andamento prossegue com a tradicional alternância entre refrão e estribilhos, representando o momento de maior virtuosismo de todo o concerto e reservando as maiores surpresas em termos de harmonias inesperadas.

     

    O Concerto foi estreado pelo violinista vienense Franz Clement e existem testemunhos contraditórios quanto à sua popularidade. No entanto, sabe-se que ele foi apresentado por outros violinistas ilustres, tais como Henri Vieuxtemps e Pierre Baillot, antes de se afirmar no repertório pelas mãos do célebre Joseph Joachim.

     


    Rui Pereira, 2017 

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