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  • Karol Szymanowski é juntamente com Witold Lutosławski um dos principais compositores polacos do séc. XX. Filho de pai polaco e mãe lituana, nasceu em Timoshovka, uma cidade ucraniana onde a sua família possuía uma propriedade. Começou a estudar música com o seu pai, antes de frequentar a classe de Gustaw Neuhaus na Escola de Música de Elizawetgrad. Entre 1901 e 1904, matricula-se no Conservatório de Varsóvia para estudar harmonia com Marek Zawirski e contraponto e composição com Zygmunt Noskowski. Uma das suas iniciativas mais destacadas foi a fundação, em 1905, com Grzegorz Fitelberg (compositor, violinista e, mais tarde, maestro), Ludomir Różycki (compositor, maestro e pedagogo) e Apolinary Szeluto (compositor e pianista), da Sociedade dos Jovens Compositores Polacos que, com o patrocínio do Príncipe Władysław Lubomirski, promoveu a divulgação de obras de compositores polacos contemporâneos. Antes de estalar a Primeira Guerra Mundial, Szymanowski empreendeu uma longa viagem pelo Mediterrâneo (Itália, Sicília e Norte de África). A revolução russa de 1917 obriga-o, e à sua família, a abandonar a cidade onde nasceu e a mudar-se para Elizawetgrad. Três anos depois estabelece-se em Varsóvia, viajando entretanto pelos EUA e pela Europa. Regressado à Polónia, assume a direcção do Conservatório de Varsóvia entre 1926 e 1932. A tuberculose que haveria de o vitimar em 1937 obriga-o a passar os últimos anos de vida à procura de tratamento em vários sanatórios europeus – Áustria, França e Suíça.

    O Concerto para violino n.º 1, op. 35, foi escrito em 1916 na cidade ucraniana de Zarudzie. Para além das cordas, a obra exige a presença de 1 flautim, 2 flautas, 2 oboés, 1 corne inglês, 3 clarinetes, 1 clarinete baixo, 2 fagotes, 1 contrafagote, 4 trompetes, 3 trompas, 3 trombones, 1 tuba, 1 piano, 2 harpas, e uma secção de percussão formada por timbales, triângulo, pandeireta, tambor, caixa grande, pratos, sinos e celesta. Muito embora não seja explicitamente mencionado pelo compositor, a obra inspira-se no poema Noc majowa (Noite de Maio) de Tadeusz Miciński. Durante a composição do concerto, no início de Setembro de 1916, Szymanowski escreveu ao seu amigo Stefan Spies: “Devo dizer-te que estou muito satisfeito com a totalidade da obra – mais uma vez tem todo o tipo de notas novas – mas tem também um ligeiro regresso ao antigo; toda a obra é fantástica e inesperada.”

    De facto, este concerto é reconhecido como sendo o primeiro concerto “moderno” para violino por abandonar a forma tradicional do concerto oitocentista. Uma das grandes novidades formais é a ausência dos habituais três andamentos: rápido-lento-rápido. Szymanowski desenvolve a obra num único andamento dividindo-o em cinco “partes” que se sucedem de maneira quase imperceptível mas que contêm, cada uma delas, uma expressividade diferente. Assim, a primeira pode ser descrita como uma fantasia de conto de fadas, a segunda é lírica e apaixonada, a terceira assemelha-se a um scherzo, a quarta a um suave e delicado nocturno, e a quinta e última – que contém a cadência – é uma espécie de resumo das anteriores. Outra das inovações deste concerto para violino é a utilização sistemática do registo agudo na parte do solista, recurso que Szymanowski utiliza com maestria e que confere ao discurso musical do violino solo uma expressividade e uma plasticidade únicas.

    A cadência é da autoria do seu amigo, o violinista Pavel Kochanski, que foi quem ajudou Szymanowski na escrita da parte de violino deste e do Concerto n.º 2 (1932-33).

    Apesar de terminado em 1916, o Concerto n.º 1 foi estreado apenas a 1 de Novembro de 1922, em Varsóvia, pela Orquestra Filarmónica da capital polaca dirigida por Emil Młynarski, com Józef Ozimiński como solista. Só dois anos mais tarde é que o dedicatário do concerto o interpretou em Nova Iorque sob a direcção de Leopold Stokowski.


    Ana Maria Liberal, 2015

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