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  • 1. Ouverture

    2. Waltz

    3. Finale

     

    A aristocracia é uma presença regular nos enredos operáticos. Por um lado, é uma classe social à qual o género se encontra associado desde a sua criação. Por outro, os aristocratas são colocados em palco com objectivos distintos, entre o enaltecimento e a ridicularização. Mozart, por exemplo, tem uma abordagem distinta à nobreza em La Clemenza de Tito e em Don Giovanni. A ópera de Thomas Adès Powder her faceadopta o registo de Don Giovanni, no qual a aristocracia é dessacralizada. A ópera foi encomendada pelo Festival de Cheltenham, onde foi estreada a 1 de Julho de 1995. Posteriormente, algumas das suas danças foram adaptadas pelo compositor à sala de concertos, numa encomenda conjunta do Festival de Aldeburgh, da Philharmonia Orchestra e da Orquestra de Cleveland. A versão sinfónica foi estreada pela Philarmonia Orchestra sob a direcção do compositor no Festival de Aldeburgh, a 17 de Junho de 2007.

    O libreto de Powder her face foi escrito pelo romancista Philip Hensher e inspira-se na vida sexual de Margaret Campbell, Duquesa de Argyll. Trata-se de uma sátira que subverte as convenções da ópera, em que o aristocrata lascivo tendia a ser homem e o adultério feminino era um tema recorrente. Adès e Hensher desenvolveram uma abordagem cómica focada na expressão crua da actividade sexual de Margaret, cujo processo de divórcio com o Duque causou grande escândalo na sociedade britânica em 1963. O vocabulário utilizado é bastante explícito, bem como o tratamento musical dos actos sexuais, o que complicou a circulação da ópera.

    De forma a pontuar a acção dramática, Adès recorre a danças do período Entre Guerras, quando a febre das danças sociais chegou mesmo a compositores modernistas como Stravinski, Kurt Weill ou Alban Berg. Assim, a liberdade conquistada pela mulher durante a juventude da Duquesa é representada pela estilização de música dessa época. Enfatizando a atmosfera hedonista do período encontra-se uma instrumentação próxima das orquestras de dança e das jazz-band, como a do inglês Jack Hylton. Assim, a música confere uma nota de realismoa uma obra baseada na abordagem crua, irónica e grotesca à situação. A uma abertura de cariz jazzístico marcada pelos portamentos nos sopros segue-se a estilização quase expressionista da valsa, ao estilo da Segunda Escola de Viena. Os ostinati e a regularidade rítmica unificam o andamento, caracterizado pela sobreposição de dissonâncias e pelo colorido da orquestração. O exagero de alguns traços do tango argentino constitui a base para o andamento final, que alterna secções marcadamente rítmicas com temas mais líricos. Nesse contexto, a experimentação sexual da Duquesa é acompanhada pela experimentação musical de Adès, num distanciamento irónico que funde música e sexualidade.

     


    João Silva, 2017 

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