Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • Fujikura utiliza recorrentemente modelos visuais nas suas composições. Na verdade, quando se deslocou para Londres, com apenas 15 anos de idade, o seu sonho era tornar-se um compositor de cinema. Se mais tarde seguiria outro caminho – o da música de concerto –, o mundo do cinema (e o mundo visual em geral) nunca deixaram de exercer uma forte influência sobre si.

    Isso mesmo se vê em Diamond Dust, em que Fujikura se serviu da imagem do gelo como um dos pontos de partida para a composição. Sobre isso fala o próprio, numa nota de programa:

    “Como a peça foi encomendada por uma pianista e um ensemble noruegueses (e eu adoro as culturas escandinavas), pensei frequentemente em gelo enquanto escrevia esta peça. A luz brilha sobre grandes blocos e pequenas partículas de gelo, é reflectida e cintila em direcção a novos espaços.”

    A qualidade cristalina da peça, de resto, é imediatamente perceptível, seja pelo uso de sonoridades relativamente consonantes (evitando as dissonâncias mais ásperas características de muita música do nosso tempo, as quais não dariam, certamente, ideia de algo cristalino); seja pelo recurso muito restrito ao registo grave, ouvindo-se a maior parte da música num registo médio e agudo (o que dá também um sentido luminoso e transparente).

    Ao longo da peça, o piano assume plenamente o seu papel de protagonista, comandando as operações de todo o ensemble. Isso mesmo se vê logo no início: à energia de uma nota fortíssima no registo grave do piano, responde o ensemblecom desenhos agitados e voláteis. O piano interrompe então os outros instrumentos, com um acorde brilhante e imponente, que ele próprio comenta com pequenas figuras, mais delicadas e brincalhonas, que gradualmente adquirem um carácter mais sério e expressivo; a espaços, alguns instrumentos do ensemble complementam o solo do piano. Mais à frente, a escrita do piano torna-se mais complexa, combinando elementos mais ligeiros com outros mais expressivos e cantabile.

    Começa, assim, a desenhar-se uma lógica de sucessão de pequenos episódios, cada um deles caracterizado por um certo tipo de actividade no piano e no ensemble (descreveram-se apenas três desses episódios, de um total de cerca de vinte). Ao longo da peça, o papel do ensemble tende a tornar-se mais preponderante, transformando-se – mais uma vez nas palavras do compositor – num “castelo de cristal que aprisiona o piano e o vibrafone, que tentam então escapar” (funcionando o vibrafone como uma espécie de duplo ou sombra do solista, que geralmente colabora com ele, embora num segundo plano).


    Daniel Moreira, 2014

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE