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  • Robert Schumann era um jovem de 24 anos quando, entre Dezembro de 1834 e Janeiro de 1835, escreveu os Estudos Sinfónicos para piano solo. A partitura foi publicada dois anos depois com o título XII Estudos Sinfónicos, sendo posteriormente alvo de uma nova edição com o título Estudos em forma de variações (1852), da qual foram retirados dois dos estudos. Sabemos hoje que um esboço anterior às edições publicadas referia serem “Estudos de carácter orquestral segundo Florestan e Eusebius.” O interesse destes diferentes títulos é o facto de todos serem verdadeiros e todos ocultarem igualmente algum aspecto importante da obra. Os Estudos Sinfónicos são estudos no sentido de serem constituídos por peças que exploram diferentes características técnicas de grande dificuldade e sonoridades de uma forma estruturada; são variações por terem por base um mesmo tema que vai sofrendo as mais diversas transformações; são sinfónicos por explorarem as possibilidades orquestrais da escrita pianística; e, por fim, o seu encadeamento dramático obedece à personalidade dos dois amigos imaginários de Schumann, o mais impetuoso e perturbado Florestan e o mais introspectivo e contemplativo Eusebius. Sem dúvida que todos estes aspectos sobressaem na audição da obra: a dificuldade técnica, a grandiosidade sonora alcançada, as relações temáticas e as oscilações constantes de humor.

    O tema original de 16 compassos é da autoria do Barão von Fricken, pai de uma jovem, Ernestine, por quem o compositor se apaixonou nessa altura e que já havia influenciado o Carnaval op.9. Sendo extremamente melódico, o tema é apresentado na tonalidade de Dó sustenido menor e é densamente harmonizado. Nos estudos que se seguem, Schumann trata a técnica de variação com uma enormíssima mestria, seguindo o modelo harmónico e melódico do tema mas deixando espaço para incursões surpreendentes em universos sonoros contrastantes. Por vezes a melodia passa para o baixo e Schumann cria novas melodias, por vezes evoca períodos anteriores da História da Música, muito particularmente o estilo das suites barrocas, outras recorre a cânones ou ao estilo fugato, simula a canção com acompanhamento ou deixa­‑se levar numa demonstração de bravura. Uma presença recorrente e muito característica de Schumann são os ritmos pontuados de galope. Um dos factos mais curiosos da obra é que a última variação tem por base um tema diferente. A canção “Du stolzes England freue dich” terá sido uma forma de homenagear o amigo inglês e dedicatário da obra, o pianista virtuoso e compositor William Sterndale Bennett. No entanto, o tema primordial também não é esquecido e faz breves aparições no estudo que encerra a obra.

    Na primeira audição, que decorreu na Börsensaal em Leipzig, a 13 de Agosto de 1837, os Estudos Sinfónicos terão sido apresentados de forma parcial pela jovem Clara Wieck, filha do professor de Schumann e sua futura esposa. A interpretação deste ciclo completo é transcendente devido à compilação extraordinária de dificuldades técnicas que não podem transparecer numa partitura que é intensamente dramática e poética.

     


    Rui Pereira, 2013

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