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  • Luís de Freitas Branco devotava uma predilecção especial pelo Alentejo, que considerava “a sua terra de eleição”, passando largas temporadas na sua herdade em Reguengos de Monsaraz. A cultura e o folclore daquela região estão, por isso, muito presentes na sua vida e, consequentemente, na sua obra. Espelho disso são as duas Suites Alentejanas para orquestra sinfónica escritas em 1919 e 1927, respectivamente, nas quais Freitas Branco utiliza temas do folclore alentejano. Temas que, como refere Nuno Barreiros numas notas de programa para o concerto a 18 de Janeiro de 1986, foram em grande parte “recolhidos ou ouvidos in loco pelo próprio compositor”.

    O Fandango que vamos ouvir esta noite é o terceiro e último andamento da primeira Suite Alentejana. É, provavelmente, o trecho mais conhecido de Luís de Freitas Branco, sendo frequentemente interpretado como peça isolada ou como encore. A Suite n.º 1foi estreada pela Orquestra Sinfónica de Lisboa, a 8 de Fevereiro de 1920, no Teatro Politeama, sob a direcção do pianista e compositor Vianna da Motta, num concerto intitulado “Festival da Música Portuguesa”.

    Freitas Branco escreveu para uma formação orquestral constituída por 3 flautas, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes, clarinete baixo, 2 fagotes, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, tuba, timbales, bombo, pratos, caixa, triângulo, castanholas (4 percussionistas) e harpa, para além das cordas.

    De acordo com a Enciclopédia da Música em Portugal no séc. XX, o Fandango é uma dança de pares, que surge em diversas regiões da Península Ibérica pelo menos desde o séc. XVIII. É uma dança rápida, de métrica binária com subdivisão ternária (6/8), com um padrão rítmico típico. Freitas Branco incorpora todas essas características no andamento final da sua Suite Alentejana n.º 1 ao criar uma peça viva e alegre, onde abundam os jogos de timbres entre os diferentes naipes da orquestra. O padrão rítmico atravessa todo o Fandango e é o protagonista da intervenção do violino solo. A abordagem formal tripartida da peça (A-B-A) permite observar um interessante momento de recolhimento e de reflexão na secção central, no qual o timbre nasalado do corne inglês introduz uma belíssima melodia que é repetida pelas trompas antes de dar origem a um coral grandioso interpretado por toda a orquestra. A exuberância e o vigor da secção A regressam para encerrar o Fandango com brilhantismo.

     


    Ana Maria Liberal

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