Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • Erkki-Sven Tüür iniciou a carreira profissional em música em meados da década de 1970. Liderou o grupo In Spe, uma banda de rock progressivo, desde 1979. As influências mais nítidas eram as de King Crimson, Yes, Genesis, Frank Zappa e Emerson Lake & Palmer. Quando se voltou para a chamada música erudita, juntou a esta experiência uma corrente pós-moderna que se reflecte na junção de estilos tão distintos como o minimalismo, o canto gregoriano, microtonalidade, serialismo e técnicas de electrónica. Extremamente ecléctico, é igualmente muito profícuo. Com um catálogo onde se destacam obras para grande orquestra, nomeadamente oito sinfonias, ópera e nove concertos instrumentais, Erkki-Sven Tüür escreve também para vozes e teve no maestro Paul Hiller, fundador do Hilliard Ensemble e do Coro Casa da Música, um dos grandes divulgadores internacionais da sua música.

     

    Les poids des viés non vécues (O peso das vidas não vividas), apresentada neste concerto em estreia nacional, data de 2014 e resultou de uma encomenda da Orquestra Nacional da Bélgica e do Palácio de Belas-Artes de Bruxelas (BOZAR), no âmbito das celebrações do centenário da Primeira Grande Guerra. Foi estreada no BOZAR, uma das salas pertencentes à ECHO (European Concert Hall Organization), sob a direcção do maestro Arvo Volmer, no dia 6 de Fevereiro de 2015. Com uma duração inferior a dez minutos, a peça está instrumentada para 3 flautas, 3 oboés, 3 clarinetes e clarinete baixo, 3 fagotes e contrafagote, 3 trompetes, 4 trompas, 3 trombones, tuba, 3 percussionistas e cordas.

    A peça tem início com um efeito de sonoridade no registo grave dos metais (trombones e tuba) e percussão. O primeiro sinal de uma melodia surge com os violoncelos sobre uma nota pedal grave dos contrabaixos. É um lamento, pontuado por um cerimonial toque de sino, que lentamente vai ser expandido por outras vozes. Este aumento gradual da textura contribui para a construção de uma paisagem sonora, densa, bela e simultaneamente triste, mais do que para um tratamento polifónico do tema inicial. Alguns efeitos sonoros, como os glissandi descendentes nos trombones, remetem-nos para as figuras de retórica do Barroco, a ideia de choro ou lamento. Uma breve secção com figurações mais rápidas em efeitos de eco nas madeiras introduz um segundo motivo que vai ser desenvolvido, como gritos, em movimentos quer ascendentes, quer descendentes. A orquestra adopta depois um tom mais declamativo, com figuras rítmicas muito precisas e claras. Um crescendo de dinâmica e textura, a par de ritmos mais enérgicos, vai conduzir a um clímax dramático que as cordas vão encerrar, insistindo numa melodia triste e nostálgica. A peça termina com uma brevíssima coda por eliminação dos elementos que a constituíram, regressando à paisagem sonora rarefeita a que um derradeiro sopro de ar põe fim.

     


    Rui Pereira, 2016

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE