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  • 1. Wenn mein Schatz Hochzeit macht

    2. Ging heut’ Morgen übers Feld

    3. Ich hab’ ein glühend Messer

    4. Die zwei blauen Augen 

    Esta é considerada a primeira obra-prima do compositor boémio que, aos vinte e três anos, evidenciava já os propósitos de uma escrita de grande criatividade. A narrativa autobiográfica que aqui nos apresenta decorre do percurso emotivo que enceta, dando a conhecer as estações afectivas que o demoram entre a alegria e a tristeza, a revolta e a resignação, a melancolia e a esperança.

    Mahler escreveu este ciclo entre 1883 e 1885, ainda numa fase de afirmação profissional. Tal levou-o a empregar-se, como director musical, na cidade alemã de Kassel onde veio a conhecer as agruras tanto da vida profissional como da afectiva. A hierarquia a que estava subordinado revelou-se demasiado conservadora e deu-lhe motivos para sair ao fim daqueles dois anos. Por um lado, o seu superior directo, o mestre de capela W. Treiber, era movido por inveja do jovem talento; por outro, eram constantes as admoestações do administrador estatal dos teatros, o Barão Gilsa. As contrariedades levaram-no a procurar emprego algures. O talento demonstrado despertou a atenção do director da Ópera de Leipzig que lhe ofereceu um contrato daí a algum tempo, como assistente de A. Nikisch (1855-1922). Porém, antes do início das novas funções, teve tempo para aceitar o convite de A. Neumann, empresário de R. Wagner (1813-1883), para o teatro de Praga. A infelicidade que viveu em Kassel deveu-se, também, ao infeliz caso amoroso com o soprano Johanna Richter que, de resto, teve como corolário inspirador a safra de seis poemas. Destes, seleccionou os quatro que perfazem as Canções de um Viandante.

    A caracterização estilística da música de Mahler reside na expansão estrutural do romantismo e na intensificação expressiva da forma sinfónica. Ambas estão patentes nesta obra que, aliás, as corrobora por via da emancipação do paradigma estético da música absoluta, que apenas admitia a forma como o ideal da música instrumental, deixando de parte os elementos poéticos e programáticos. Assim, temos um programa que diz directamente respeito à experiência emocional do compositor, assim como os seus próprios poemas cujo sentido é intensificado sinfonicamente. A escrita demorada do ciclo deveu-se ao pouco tempo que tinha disponível para a composição. O processo arrastou-se ainda durante a década de noventa, passando pela orquestração da versão original para piano e voz, entre 1891 e 1893,e pela revisão da partitura até à estreia berlinense em 1896. O programa que a Filarmónica de Berlim apresentou contava também com as versões preliminares das suas primeiras duas sinfonias.

    O ciclo abre com Wenn mein Schatz Hochzeit macht (“Quando o meu tesouro se vai casar”) numa atmosfera dolente, imediatamente transmitida pelo motivo expresso pelo clarinete e explorada pela caracterização orquestral do texto da primeira e da terceira estrofe. Pelo meio, a toada de esperança e alegria radica na mudança de textura e timbres, conferida pelas figurações rápidas da flauta e das cordas. Ging heut’ morgens übers Feld (“Esta manhã atravessei o campo”) faz contrastar a alegria, cuja força advém da riqueza rítmica e tímbrica, e a melancolia, com um acompanhamento mais lento. Este material é também utilizado no andamento inicial da Primeira Sinfonia. Ich hab’ ein glühend Messer (“Tenho uma faca em brasa”) transmite a ideia de revolta e mal estar por via da forte dinâmica orquestral, enfatizada pelo recurso aos metais e percussão. Segue-se uma secção que veicula a estrofe de índole onírica do poema, para terminar com o regresso à cruel realidade, recuperando os recursos do início. Die zwei blauen Augen (“Os dois olhos azuis”) conclui o ciclo e utiliza material do terceiro andamento da Primeira Sinfonia. O lento ritmo de marcha traduz os próprios passos do viandante que se vai afastando da recordação funérea para, através do luto, vir a entrar num mundo de esperança e realização.

     


    João Pedro Louro

    (Notas gentilmente cedidas pela Fundação Calouste Gulbenkian)

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